quarta-feira, janeiro 14, 2009

Especial Banda Desenhada parte 7

Hoje não há quarta-feira em Bruxelas, muito simplesmente por falta de tempo. Mas há este especial BD que estava na fase "rascunho" há semanas e que espero que compense.

Obra completa, Sempé. Não consigo escolher só um livro mas posso sugerir alguns como Rien n'est simple, Comme par hasard, Luxe, calme et volupté, Insondables mystères. Sempé é mais conhecido pela série O menino Nicolau mas as suas ilustrações encantam-me há anos. Na minha humilde opinião poucos (ou mesmo ninguém) iguala o traço ora humorístico ora maroto ora irónico de Sempé. As suas ilustrações conseguem ter o valor de uma anedota bem contada ou de uma história partilhada com amigos. Ainda estou para descobrir alguém que com tão pouco numa página consiga espelhar a infância e as diferenças caricatas entre crianças e o modo destas verem o mundo dos adultos. Para todos com sentido de humor e ironia e para quem quer (re)lembrar-se da infância. Para o filho que diz que ninguém o compreende.

Fables: legends in exile, Bill Willingham & Ian Medina. Imaginem que as personagens dos contos de fadas fossem reais e vivissem exiladas no nosso mundo. Imaginem o Lobo Mau como um detective privado que tem de conter o mau feitio de forma a não revelar o seu lado lobisomem, a Branca de Neve após um divórcio litigioso com o Príncipe Encantado (um engatatão de primeira) e o Monstro e a Bela em sessões de terapia conjugal. Tudo isto bem msturado a um homicídio nas barbas de toda a gente. Uma leitura envolvente e surpreendente. Para quem gosta de contos de fadas, para quem acha que é demasiado velho para contos de fadas.

Jacques Delwitte: Little White Jack, Max de Radiguès. Uma obra belga para variar. Um guitarrista genial anda pela rua a tocar a troco de moedas, é chamado para ajudar uma banda nova com o novo disco e os flashbacks ajudam-nos a descobrir uma carreira bem sucessida e as razões do fim da carreira. Um desenho pastoso que se destaca do traço imediato da maioria das obras actuais. Jacques é inspirado num músico de rua de Bruxelas, contudo a história é fictícia. Para gosta de música de rua, de desafios e de BDs com desenho diferente.

Je t'ai aimé comme on aime les cons (original: Te quise como sólo se quiere a los cabrones), Giménez & Fonollosa. Após o fim de uma relação, longe de ser perfeita, e após quatro anos longe da cidade natal, Miranda é obrigada a regressar a casa dos pais. Como lidar com uma mãe que parece mais destroçada do que ela, com as amigas mais do que dispostas a dizer mal do ex (mais do que Miranda até) e com as memórias boas e más da relação? Como acabar uma relação e manter o sentido de humor também era um título que funcionava. Não digo para irem já a correr oferecer um a alguém que esteja a sair de uma relação mas é para quem ao menos já namorou alguém e hoje se pergunta porquê.

Too cool to be forgotten, Alex Robinson. Se me dissessem que iria regressar ao liceu por tempo indeterminado garanto-vos que iria entrar em pânico. Pois Alex foi apenas fazer hipnose para deixar de fumar, acontece que a génese do problema, do seu vício estava precisamente no liceu. Como é que um homem de 40 anos reage ao ser enfiado para dentro do corpo de um adolescente magricela, com aparelho e borbulhas? Ainda por cima sem aviso prévio. Enquanto enfrenta medos e rufias passados o leitor tem direito a rir dos anos 80. Para quem conhece os liceus (anos 80 ou não) e não tem particularmente vontade de lá voltar.

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sexta-feira, janeiro 09, 2009

Há dias...

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domingo, novembro 23, 2008

Adoro o frio

Outros exemplares da BD fim do mundo: aqui.aqui. e aqui.

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quinta-feira, novembro 13, 2008

Especial Banda Desenhada - parte 6 - dose dupla

Nem sei como é que deixei passar tanto tempo desde o meu último especial... Espero compensar o desleixo nos próximos tempos. Hoje o especial é dedicado a artistas com duas ou mais obras que adoro e eu não soube escolher só um para o especial. O especial contém igualmente três grandes mestres cujo trabalho marcou e mudou a história da BD.

Buddha, Osamu Tezuka. (8 volumes). Não deixem que o tamanho desta obra épica vos assuste, vale cada página. Tezuka é tão importante para a história das mangas e da banda desenhada como o Walt Disney é importante na história da animação. Trouxe características "manga" como os olhos enormes e as expressões de espanto para uma história supostamente sisuda como a vida de Buddha e influenciou entre outros Stanley Kubrick e Maurício de Sousa (sim, o da Mônica). Buddha é uma obra inesperada e surpreendente, mostra ao mesmo tempo o crescimento e desenvolvimento da vida e santidade de Buddha ao mesmo tempo que relata a violência e a sexualidade de outras personagens. Há muitos ângulos inesperados (para uma BD) e no fim ficamos com a ideia de que vimos um filme, um biopic da vida de Buddha e de personagens contemporâneas fictícias. É uma excelenente forma de mostrar o budismo e a sua doctrina pondo-a em contexto sendo ao mesmo tempo uma BD que custa a parar de ler. Para fãs de: Budismo ou curiosos, Astro-Boy, de mangas (embora este se leia na ordem ocidental), da série Tom Sawyer de Miyazaki.

A Contract with God e New York, Will Eisner. Um preferido pessoal. Tenho adiado falar nesta obra por achar que merecia mais destaque mas o tempo foi escasso. Will Einer foi mais importante do que eu sei explicar, hoje há os prémios Will Eisner nos Estados Unidos, os Oscars da BD. A contract with God foi uma das primeiras graphic novels, romance gráfico. Sem este livrinho muita BD de hoje em dia não existiria. Houve graphic novels antes mas nenhuma desta qualidade. É uma colecção de contos cuja acção se desenrola no mesmo bairro, a maioria dos habitantes são judeus emigrados nos Estados Unidos e entre os seus problemas pessoais a BD lida com a sua integração na sociedade americana e com as dificuldades das gerações seguintes. O desenho é muito realista embora em momentos de crises as personagens se tornem caricaturas delas mesmas ou se encolham ou afundam de formas pouco naturais que fazem o leitor querer dar-lhes um abraço. New york é uma antologia de vários volumes sobre a vida na grande cidade, sobre New York, desenhos de pessoas com demasiada pressa para viver, da vida dura de um emigrante no pós-guerra etc O volume Invisible people por exemplo lembrou-me de quando cheguei a Lisboa pela primeira vez. Dois dias depois tinha comprado quase toda a obra de Eisner. Para fãs de: Dostoevsky, Craig Armstrong, Maus: A survivor's tale, Kurt Vonnegut, Michael Chabon, José Carlos Fernandes.

Fraise et chocolat (2 volumes) e Je ne verrai pas Okinawa, Aurélia Aurita. Fraise et chocolat é quase um clássico de culto francês, facto que me manteve afastada do livro durante dois anos, até que recentemente descobri o Je ne verrai pas Okinawa... Aurita desenha com lápis fino de uma forma tão corriqueira que por um momento pensamos ser fácil desenhar. Tem o dom de fazer com que cada página pareça ter sido desenhada no autocarro, mas quando olhamos uma segunda vez apercebemo-nos que aquilo deve ter dado imenso trabalho. Fraise et chocolat relata as aventuras amorosas e sexuais de um casal francês no Japão. Os detalhes sexuais são muito explícitos e cómicos, não há detalhes Hollywoodescos de como tudo é perfeito à luz das velas e o primeiro volume é talvez a melhor descrição dos primeiros meses de uma relação sexual que já vi. O segundo volume acompanha uma relação mais madura mas ainda muito sexual assim como uma tournée BD e outros detalhes culturais do Japão. Os livros têm um sentido de humor muito apetitoso. Je ne verrai pas Okinawa é quase todo passado no aeroporto de Tokyo e ilustra de forma genial as dificuldades burocráticas de entrar num dos países mais fechados do mundo, o Japão. Apesar da autora ter dinheiro, de receber direitos de autor e de não ser uma ameaça para os trabalhadores japoneses as autoridades proibem-na de ficar os três meses que o visto permitia. Aurita tinha planeado visitar Okinawa nessa visita... É um relato dos tempos em que vivemos. Podem ver páginas de amostra aqui. Para fãs de: Small Favors, Milo Manara, nouvelle manga, Anais Nin, Tatsumi.

Elle(s) e Hollywood San (com Michael Sanlaville), Bastien Vives. Se algum dia fizer um especial sobre BDs para jovens este "miúdo" terá lugar de destaque. Digo miúdo porque é mais novo do que eu, o estúpido. Elle(s) segue um jovem de 26 anos que sem saber bem como, vê-se no meio de duas jovens de dezoito anos e das suas aventuras, desventuras e dos seus namorados também. Há sms, festas, cinema, amizades...Quem acha que está desligado das novas gerações pode aproveitar a leitura fácil. Hollywood Jan relata a história de um adolescente franzino, Jan (/ian/), que sofre como muitos de nós sofremos no liceu. Há rufias, professores arrogantes, colegas cruéis e o Jan sente-se invisível. E ainda por cima uma das professoras é amiga da mãe (também me aconteceu...) Para o ajudar há (I kid you not) o Arnold Schwarzenegger, o Sylvester Stalone e o Russell Crowe. Com a sua imaginação mortal e sedutora, o jovem Jan ora imagina conversas com os miúdos populares ora o Arnold a matar o pessoal todo. Mas e aquele hábito de pensar em voz alta?... Para fãs de: Wonder Years, Coupling, Le combat ordinaire. Parece-me especialmente indicado para leitores jovens (quer de idade ou mentalmente).

Abandon the old in Tokio, The push man e Good-bye, Yoshihiro Tatsumi - Já cá falei no senhor mas as únicas três obras traduzidas merecem mais destaque. Exactamente, o grande mestre japonês só tem três obras traduzidas no ocidente. É uma vergonha. Se há obra que nos faz abrir os olhos e apercebermo-nos que o Japão é um país longe dos estereótipos, com problemas como o nosso, com pessoas traumatizadas com o pós-guerra, com pessoas deprimidas, com gente que não gosta do trabalho, com filhos que não querem ser responsáveis pelos pais, com mulheres chatas, com homens ansiosos por ver pornografia num país altamente censurado, pessoas à beira de um esgotamento porque a vida não é nada do que tinham sonhado quando era novos etc são estes livrinhos. Qualquer história de Tatsumi permite-nos ao mesmo tempo sentir pena dos japoneses, desdém por personagens humanas (mas) cruéis, permite-nos descortinar um pouco as pressões de uma sociedade com uma hierarquia muito complicada e antever muitos esgotamentos. Temos sempre a sensação que estamos a desvendar um segredo muito bem guardado, que o Japão não são só gueixas, samurais, templos e ordem... Para fãs de:Dostoevsky, Aki Shimazaki, Osamu Tezuka, Coco Wang, Orhan Pamuk,para ver o Japão com outros olhos.

Où le regard ne porte pas...(2 volumes), George Abolin e Olivier Pont. Em 1906 a família de William troca Londres por uma vila italiana, os italianos não ficam muito satisfeitos e há uma tensão no ar. Mas para quatro miúdos de dez anos, isso não tem importância. Entre as aventuras dos petizes e as confusões dos adultos há sonhos, memórias de outros tempos, as crianças parecem lembrar-se todas dos mesmos acontecimentos. De outra vida? O segundo volume passa-se vinte anos depois, há vinte anos que os quatro protagonistas não se viam, há o matar saudades habitual, um ajustar de contas e uma viagem à Costa Rica para procurar o quarto rapaz. Entretanto os sonhos, visões são cada vez mais fortes e parecem ser pistas para o paradeiro do rapaz. Para fãs de: mistérios, Brian Weiss, BDs de época.

Especiais anteriores: Especial 5. Especial 4. Especial 4.5. Especial 3. Especial 2. Especial 1.

Especial BD online 1 e 2.

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quarta-feira, setembro 03, 2008

A rentrée

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quarta-feira, agosto 13, 2008

Quarta-feira em Bruxelas V

Museu dos instrumentos musicais, Montagne de la Cour Hofberg 2 B-1000 Bruxelles. Já aqui falei do meu edifício preferido em Bruxelas mas ainda não falei o suficiente. Além de ser um belo exemplo de Art Nouveau e de ser um excelente museu (para quem gosta de música) tem um belo café no topo e uma bela vista. Há concertos, uma biblioteca invejável e história a cada canto. Para os amantes de arquitectura a câmara municipal ofereceu bancos no passeio em frente ao edifício, simplesmente perfeito. Orçamento: adorar o edifício e tirar fotos: gratuito; visitar o museu (preço sem desconto): 5e.

Centro de Banda desenhada, Rue des Sables 20 1000 Bruxelles. Não é segredo para ninguém que a Bélgica é a terra da banda desenhada mas talvez seja uma surpresa o facto de este país pequenito tem (no início do século XXI) mais de 700 autores de BD reconhecidos. O museu é albergado por uma bela arquitectura art nouveau (obra de Victor Horta) e a livraria é o local ideal para encontrar raridades ou aquele volume de Tintin ou Astérix que vos falta. Para além destas pérolas existem dois andares repletos de estátuas, tiras, quadros e imagens raras e uma biblioteca que eu planeio assaltar. Recomendo igualmente a brasserie Victor Horta. Orçamento: entrar no edifício e ir à livraria ou biblioteca: gratuito. Visitar o museu (sem desconto): 7.5e.

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domingo, julho 13, 2008

Obsessão do momento

Yoshihiro Tatsumi é um dos 'WIll Eisners' do Japão mas por alguma razão estranha o seu trabalho só começou agora a ser traduzido. Ainda só existem três obras disponíveis em inglês e francês de 1969 a 1972. Comprei as três num espaço de dois dias e lamento não saber japonês para continuar a descoberta. Tatsumi quebrou as regras ao pegar na linguagem das mangas e usá-la em banda desenhada com histórias literárias, contos quotidianos; quebrou as regras igualmente ao mencionar vez e vez sem conta os efeitos da cultura sexualmente restrita do Japão e falou de Hiroshima de uma forma tocante sem ser melodramático, mostrando pela primeira vez ao ocidente como foi reconstruir uma vida depois de tanta violência. Recomendo seriamente.

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sábado, julho 05, 2008

Especial BD online 2

Toonman
Head injury Theater.
My extralife.
O segundo especial webcomics tem a particularidade de incluir velhos conhecidos meus e sites que embora não tenham uma verdadeira webcomic no prelo apresentam trabalhos de arte, bandas desenhadas de uma trancha, rascunhos e notas, ilustrações... a lista é muito variada e de qualidade, divirtam-se! (algumas surpresas no fim)

Head Injury Theater, Jared Von Hindman. Um dos meus preferidos que não faz particularmente webcomics mas que merece visitas mensais ou semanais, além de banda desenhada e ilustrações o site apresenta insanidade um pouco por todo o lado. Sugiro tirarem uma hora do vosso tempo para descobrirem todas as categorias. Há arte por todo o lado. Para fãs de insanidade e para quem busca algo diferente; às vezes há um bocado de humor negro.

Garfield minus Garfield, Travors. Imaginem as tiras de Jim Davis sem o Garfield. O resultado é uma visão excelente sobre solidão, doença bipolar e desespero da vida moderna, a não perder. Para todos, fãs de Garfield ou não.

Toonman, Pedro Alves. O único português da lista tem um site de prender a respiração - há bd e cartoons por todo o lado! A secção de cartoons é imperdível assim como a secção de rascunhos - sketchbok. As ilustrações também merecem uma visita. A variedade e qualidade irá surpreender muitos. Para quem gosta de cartoons políticos e de temas actuais, admiradores de José Carlos Fernandes e de certa forma Salomão e Mortadela.

Sinfest, Tatsuya Ishida. Embora seja bem mais calmo e menos controverso que Fetus-X estas tiras não são para toda a gente. Pessoalmente nunca vi tanta tira a fazer piadas às custas de Deus e de Cristo como esta, uma das personagens principais é o Diabo e eu estou viciada. De vez em quando há piadas sobre outras BDs, como por exemplo, que tipo de personagens porno seria a Sally de Peanuts, o Garfield, o Dibert etc. Para fãs de Blankets, de Tatsumi e da figura do Diabo.

Doodle Alley, de Stephen McCrainie.

Aqui podem seguir os mais conhecidos Mal and Chad assim como mais outras tiras do mesmo autor, incluindo college 101 e 24 hour comics, uma tira desenhada durante 24h seguidas. As bds são bastante variadas em tema. Uma que poderá não agradar a toda a gente é Godzilla vs Mecha-Bambi, o título diz tudo; não deixa de ter a sua graça e gosto particularmente do desenho. Para fãs de Calvin & Hobbes, Sinfest e Garfield.

The right number, Scott Maccloud. O autor de Understanding comics (um guia para BDs em formato BD que de tão simples até parece mentira) começou com este webcomic em 2003 e além da originalidade da história o formato é igualmente atraente e original - trata-se de um webcomic interactivo e que utiliza o conceito de zoom. Clicamos no centro de um panel para seguir para o próximo que muitas vezes resulta de um zoom do anterior. Para apreciadores de Zoom de Banyai, Dash Shaw, de matemática e de lógica.

My Extralife, Scott Johnson. Actualizada três vezes por semana esta webcomic não tem propriamente um tema central ou uma personagem principal (embora haja recorrentes) tudo depende do que se passa na cabeça do autor nesse dia. Para fãs de American Elf e Josh Wheaton.

Mega Tokyo, Gallagher & Caston. Até agora é a única webcomic Manga em inglês que descobri. O desenho a lápis de carvão é muito apelante e diferente, as histórias e acção são desenhadas com o estilo próprio das mangas embora não sejam 100% mangas. A descobrir. Para fãs de mangas, naturalmente, de Tatsumi e de Kill Bill.

Chopping Block, Lee Adam.

Webcomic de mau gosto sobre um psicopata chamado Butch. As tiras variam entre um psicopata que mal pode esperar pelo próximo homicídio e entre um psicopata que se angustia sobre o método do seu próximo ataque. Desenho a carvão. Para fãs de I luv Halloween e My dead girlfriend.

Doot Doot Garden, Craig Thompson. Embora não seja uma webcomic esta pérola tem de ser partilhada, um dos meus cartonistas preferidos tem um blog e um site repletos de amostras, ideias novas, rascunhos dos seus livros e espreitadelas ao seu livro novo. Blog e site (ver portofolio - o site tem a desvantagem de não permitir links). Para fãs do trabalho de Thompson ou para quem quer conhecer o seu estilo e imaginação.

Site com várias BDs como Foxtrot, Garfield, Calvin & Hobbes, B.C., 9 to 5, Adam @ home, Cathy, Citizen dog, La cucaracha e muitos muitos mais: Go comics. O site tem um motor de busca interactivo que vos ajuda a escolher as webcomics que gostam.

Comics. com. Comics para todos os gostos menos o macabro.

Imagino que nem toda a gente pode comprar todos os livros que menciono e que alguns podem não se sentir à vontade com o francês ou inglês e a pensar nisso resolvi partilhar um blog brasileiro de ciência, sim, de ciência que contém um link para um arquivo de várias bds em formato PDF. É uma combinação inesperada; quem cresceu com a turma da Mônica não deve incomodar-se com o português do Brasil. A selecção de BDs tem uma super colecção de Will Eisner (sobre o qual falarei no próximo especial), Maus, Batman, Super-Homem, Pride of Bagdad e Robert Crumb - todas gratuitas! (pasta quadradinhos) É uma oportunidade incrível, fez-me voltar acreditar no Pai Natal! Caso o link directo para o arquivo não funcione sigam estas instrucções, prestem atenção, só vou dizer isto uma vez: Abram esta página e leiam (na diagonal) o primeiro parágrafo e cliquem em HD, a página dos arquivos abre e só têm de seleccionar a pasta "quadradinhos".

Especial BD online 1.

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quarta-feira, julho 02, 2008

Especial banda desenhada PT 5

O especial de hoje volta a incluir obras-primas, livros para todas as idades, BDs para crianças e adultos e alguns dos meus volumes preferidos. Se por acaso lerem algumas das obras que mencionei digam-me o que acharam; lembraram-se de outras obras que ainda não mencionei, apitem... têm um gosto particular mas não sabem o que ler, pode ser que vos possa sugerir qualquer coisa. Lembrem-se que estes especiais também são vossos.

Maus: A survivor’s tale, Art Spiegelman. Dizer que este livro é apenas um relato de um sobrevivente do Holocausto é diminuir a sua importância e arte. O livro conta as experiências de um judeu polaco e a história da sua sobrevivência assim como a sua relação conflituosa com todos os que o rodeiam demonstrando como os efeitos de uma guerra podem ser vistos em gerações posteriores. Os judeus são representados como ratos (maus em alemão), os nazis como gatos, os americanos como cães etc o que mostra o ridículo do racismo e de uma forma bizarra ajuda a humanizar ainda mais a história. Não deixem que o tema vos afaste do livro como me afastou durante muito tempo, Maus é uma obra-prima sobre o que é ser humano, sobre história e os efeitos desta numa família. Depois de ganhar o prémio Pullitzer recebeu tanta atenção que a obra de dois volumes passou a ser utilizada em algumas escolas para abordar o tema do Holocausto a crianças de diferentes idades. Guia para professores aqui. Para fãs do canal história, de Persepolis, de Blankets e de O diário do meu pai.

Y: The last man, Brian K. Vaugn. Já aqui falei sobre esta série (10 volumes), ideal para quem gosta de suspense e de ficção científica, mas não me importo de voltar a elogiar a obra. Quando acabei o primeiro volume fui logo ao Book Depository encomendar o resto da série. Todos os homens do planeta morreram excepto um aprendiz de mágico e o seu macaco de estimação, tem a cabeça a prémio e a responsabilidade de ser um único sobrevivente mas será? As mulheres começam a reconstruir pouco a pouco, quase todos os pilotos morreram, há milhões de carros nas estradas ainda e muitas memórias de familiares perdidos. A história é descrita de uma forma soberba, com detalhes irónicos e suspense digno de Hitchcock. Agora que se vivem os momentos após a praga falta também saber o que a causou. Yorrick tem também de fugir às mulheres que se consideram as Filhas das Amazonas e que os homens eram uma praga. No meio disto há ainda que domesticar o seu macaco que insiste em atirar cócó a toda a gente. Para fãs de Battlestar Gallactica, Bone, Hitchcock, de Buffy e de The escapist.

Goodbye Chunky Rice, Craig Thompson. O autor de um dos meus livros preferidos, Blankets, começou a sua carreira com este pequeno livro. Chunky Rice é uma tartaruga pequenita, com olhos redondos de partir o coração que não se sente bem na sua cidade, isto apesar da amizade profunda que o une a Dantel um ratinho de olhos enormes. Chunky decide partir e encontrar o seu lugar no mundo, este pequeno volume conta a história dessa partida, dessa busca e da força dos laços de amizade; se há livro que sabe explicar como é difícil partir e deixar alguém para trás, como é difícil ter saudades é este.O livro conta também com duas gémeas siamesas estranhas, dois irmãos separados por anos de ressentimento e uma bela colecção de histórias de marinheiros. Não percam este belo conto sobre a amizade. Para fãs de Blankets, Bone, Owly, de Jojo, de Game Over e de fofices.

Small Favors, Colleen Coover. Coover é agora reconhecida como a Milo Manara das lésbicas e encontrou nesta série a sua galinha dos ovos de ouro. Small favors é estritamente para adultos mas enganem-se os que acham que é apenas sexo, humor e aventuras não faltam. Os volumes de "Girly porno comic" contam as aventuras sexuais de um casal de lésbicas nos Estados Unidos, sim, é tudo explícito mas sem ser reles, sem haver silicone e às vezes com um certo toque de sado-masoquismo mas tudo na dose certa. Não é preciso ser homosexual para desfrutar desta leitura, a imaginação e luxúria de cada página são razões suficientes. Quem sabe se não apanham uma dica ou outra? Para quem gosta de sexo e de rir, simples, não?

Usagi Yojimbo, Stan Sakai. Apesar do título pomposo esta série é uma excelente forma de entrar no vasto mundo das mangas sem tropeçar em Pokemons (não tenho nada contra mas não é para mim), é igualmente uma excelente forma de dar os primeiros passos na cultura Bushido, o código de honra dos samurais. Usagi é um samurai ronin, sem mestre, que vagueia pelo Japão oferecendo os seus serviços como guarda-costas. Apesar das inúmeras cenas de luta e batalhas Sakai raramente mostra sangue ou violência oferecendo a velocidade e habilidade de Usagi como justificação o que torna a obra ideal para qualquer idade. Apenas o vilão Hikiji tem forma humana todas as outras personagens são representadas por um animal diferente oferecendo cenas de batalhas dignas de um zoológico. Para fãs de mangas ou para quem não sabe onde começar, para apreciadores de artes marciais e fãs de Kill Bill.

Owly, Andy Ruton. Descobri esta pérolazinha recentemente e estou completamente rendida, um crítico descreveu Owly como o equivalente a receber um abraço e dois volumes depois só posso concordar. Owly é uma coruja bondosa mas extremanente só que pode mostrar a qualquer pessoa de qualquer idade como é importante ter amigos e como às vezes são precisos sacrifícios. Com apenas desenhos super detalhados e alguns símbolos a história avança sem uma única palavra. Ao folhear a obra muitos pensarão que é apenas para crianças a partir dos 2 ou 3 anos mas eu vi dois trintões soltarem alto um "awwww" durante a leitura. Para corações de manteiga, fãs de Jojo, Mamette e de Miyazaki.

Próximo especial será dedicado a Will Eisner, o Papa das grapic novels (romances gráficos). Daqui a dias chega o segundo especial Webcomics.

Especial BD 1. Especial BD 2. (especial clássicos) Especial BD 3. Especial BD 4.(especial crianças) Especial BD 4.5.

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sexta-feira, junho 27, 2008

BD especial

Não, não é mais um dos meus especiais BD mas sim uma BD especial. Juntamente com a série Bone e Blankets (ambos mencionados no meu primeiro especial BD) este ano tem sido magnífico para minhas leituras de BD.
Y: The last man é uma BD de ficção científica e suspense cheia de humor. Por um motivo ainda desconhecido uma praga (da natureza ou criada pelo Homem) matou todos os mamíferos com o cromossoma Y, em alguns segundos todo o ser masculino do planeta morreu. Excepto o jovem Yorrick e o seu macaco de estimação. O mundo dá uma volta no seu próprio eixo no meio da confusão, poucos exércitos tinham mulheres no serviço, 97% do poder político estava nas mãos de homens, 96% dos bombeiros, 71% dos polícias mas 51% dos trabalhadores agricultores sobreviveram etc Com as mulheres a habituarem-se aos novos poderes, liberdades, ansiedades, responsabilidades e a lidarem não só com o luto mas tambem com a síndrome de sobrevivente, Yorick tenta não ser descoberto por um grupo de Amazonas modernas que acham que a praga foi uma benção de Deus e viajar até à Austrália para encontrar a sua namorada. Temos o fim iminente da raça humana (mesmo os bancos de esperma não sobreviveram), mulheres republicanas a atacarem a Casa Branca com espingardas e duas israelitas convencidas que a praga foi um ataque dos inimigos e que há que se proteger e atacar primeiro. Yorick vê-se no meio de muita confusão e tem algumas das frases mais cómicas de toda a BD. Esta banda desenhada é tão interessante (de uma forma preocupante) como a série Battlestar Gallactica. Um perigo.

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terça-feira, junho 24, 2008

Aposto que nunca ninguém a tinha chamado...

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segunda-feira, junho 23, 2008

E quando me aborreço demora a passar

Cartoon Fim do Mundo II.

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domingo, junho 22, 2008

Eu aborreço-me muito facilmente

Cartoon Fim do mundo I.

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terça-feira, junho 17, 2008

A Bélgica é perfeita para cartoonistas

Lembram-se de há dias ter mencionado a disputa entre flamengos e wallons sobre as três terrinhas (os três porquinhos)? Pois bem, como a história está longe de terminar o cartoonista Kroll pensou numa solução possível: um túnel. O solo continua a ser da Flandres mas os wallons passam por baixo e continuam a lá morar. Piadas à parte, esta solução faz muito mais sentido do que as propostas apresentadas pelos partidos.

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domingo, junho 15, 2008

Especial BD online 1

American Elf.
Porque nem toda a gente põe dinheiro de lado para encomendar vinte livros de BD na Amazon, sugiro os seguintes sites de webcomics:

Savage Chickens, Doug Savage - Pessoalmente não sei o que seria da minha vida profissional sem estas galinhas magníficas. Não há tema sagrado, não há limites para estas galinhas. Vou ao site todos os dias, nos dias maus várias vezes ao dia. Os temas variam entre reflexões sobre a vida laboral, idiosincrasias do ser humano em particular do geek. Para fans de Garfield, de Freud, de Bone.

Cyanide and happiness, Kris - Humor negro e pura estupidez fazem desta BD o sucesso indie dos webcomics, o desenho se é que podemos chamar-lhe isso lembra o início inovador do Paint mas faz parte do charme e do encanto. Para fans de Savage Chickens, White Ninja e de Kids.

American Elf, James Kochalka - Todos os dias Kochalka desenha uma nova tira sobre os eventos do dia, pensamentos e ideias, é como ler o blog de alguém mas em formato BD. O que torna este trabalho mais interessante é que Kochalka desenha os humanos como elfos, o cão como um robot etc Para quem gosta de blogs, de diários e de Mad about you.

Haunted Comic, Joshua Smeaton-A premissa é simples: vários adolescentes aventuram-se numa casa abandonada na noite de Halloween e a festa afinal não era bem o que estavam à espera. O início é bem mais interessante do que eu estava à espera seguindo as diferentes personagens pelo liceu. No mesmo site podem ler também o diário de Josh, inspirado pelo diário de James Kochalka. Para leitores de Buffy, My dead girlfriend e American Elf.

Bodyworld, Dash Shaw-Shaw é mais conhecido pelo seu livro The mother's mouth mas este ano decidiu aventurar-se pela internet, bodyworld é actualizado cada quinta-feira e até agora a história ainda está na fase de descoberta, sabemos apenas que se passa no futuro, numa escola, com um homem estranho que experimenta todo o tipo de drogas para uma enciclopédia. Para admiradores de indie, ficção futurista e de design.

Fetus-X, Eric Millikin -Humor extremamente negro e cheio de falta de gosto. Algumas tiras têm o bonus de nos fazer sentir que estamos a abrandar para ver um acidente de carro. Para além de tiras há quadros muito interessantes feitos de colagens de um pouco de tudo. Os temas variam entre profanidades, ocultismo, sexo, violência, comunismo, homosexualidade etc tudo com falta de gosto. Para fans de Rob Zombie, Anne Rice, Chopping Block e I luv halloween.

Questionable content, Jeph Jacques -

Outro sucesso indie (de tal forma que o autor faz destas tiras a sua profissão) cuja accão se desenrola entre as aventuras amorosas das personagens, entre comentários sobre música indie e piadas sobre sexo e diferentes partes do corpo humano. Para fans de The L word, Grey's anatomy e Woody Allen.

Os conhecidos:

Garfield, Jim Davis - O gato que não precisa de apresentações tem um super arquivo (todas as tiras estão disponíveis online, décadas de tiras para curtir) perfeito para perder horas e acabar a sorrir. Para quem gosta de ironia e sarcasmo, de comer, dormir e não trabalhar.

Dilbert, Scott Adams- Qualquer pessoa que já trabalhou num escritório percebe estas tiras perfeitamente, mesmo que não goste (como eu). Suponho que às vezes estas tiras são demasiado hmmm reais. Para fans de sarcasmo e de cubículos.

Calvin & Hobbes, Bill Watterson - Um dos meus preferidos e a segunda BD que gostaria de ver numa tournée de reunião (sendo a primeira a Mafalda). Para aceder ao arquivo desta maravilha basta clicar no calendário, depois basta deixar a imaginação do Calvin invadir-nos e sorrir com as sacanices. Para fans de irreverência, sarcasmo e tigres selvagens.

Para mais é favor acompanhar a evolução dos links (secção BD e religiões respectivamente) e ler este guia sobre o mesmo tema. Se conhecem outro webcomic decente ou indecente digam.

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sábado, junho 14, 2008

Tenho nitidamente um problema

Encomendei mais de vinte livros BD online e a minha lista ainda não acabou.

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sexta-feira, junho 06, 2008

Comovente

Quando tiverem um momento (e se forem como eu, um lenço) espreitem as tiras de BD que o artista Coco Wang está a fazer sobre o terramoto na China. Ao que parece o governo transmite 24/7 notícias de sobreviventes, do avanço dos voluntários etc Wang decidiu partilhar as estórias com o resto do mundo. Muitas são comoventes, outras engraçadas como a do senhor que ao ser salvo por uma equipa russa (deve ter sido a primeira vez que viu tanto olho azul) exclamou: - Este terramoto foi mesmo forte!! Acordei noutra terra!

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quarta-feira, junho 04, 2008

As subtilezas belgas

Este cartoon do artista Kroll exemplifica perfeitamente a situação na periferia de Bruxelas. Não sei se se lembram mas Bruxelas tecnicamente pertence à Flandres, basta ver no mapa como dizem os flamengos; contudo é uma região à parte, não só é a única parte bilingue do país como a nível de votos tem muito que se lhe diga. Ora quando há eleições Bruxelas e a sua periferia contam como uma única área, a Flandres como outra e a Wallonie como outra; contudo há três terrinhas na periferia bruxelense que apesar de estarem na Flandres, apesar de estarem rodeadas de flamengos são maioritariamente wallonas. O que é que isto quer dizer? Que se for a Linkebeek (e vale a pena só pelo melhor restaurante Thai na Bélgica) vou falar francês e que se sair dois metros da terrinha tenho de falar flamengo. Os flamengos andam há anos a lutar por estas três terrinhas, sobretudo nos anos mais recentes, ao ponto de ao fim de seis meses de negociações não se podia formar governo porque os flamengos insistiam que estas três vilas começassem a contar para as eleições flamengas e os wallons não podiam ceder porque praticamente só há wallons nas três vilas.

Como o cartoon ilustra as três vilas - os três porquinhos - não se vão deixar apanhar pelo lobo mau - os flamengos- isto é quase poético. Quase. E como é que os flamengos reagem? Um pouco como o Cavaco Silva quando acha que esta a ser modesto, ignoram pura e simplesmente e continuam a insistir no mesmo ponto. Em contra-partida na Wallonie também há três vilas que só falam flamengo e lá há menos sarilho mas há sarilho na mesma. Para evitar que esta situação se repita os flamengos impuseram a regra que para comprar casa ou terreno na Flandres é preciso ou falar flamengo ou provar intenção de o fazer (incrição numa escola, por exemplo), a União Europeia diz que isso é discriminar e não pode ser, os flamengos dizem que não têm medo do lobo mau da comissão... Como disse, isto é quase poético ou épico ou estúpido, já não sei.

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segunda-feira, junho 02, 2008

Especial Banda desenhada Pt 4.5 - (update)

(A partir de um computador sem acentos)
Nao sei como foi possivel mas esqueci-me de mencionar o seguinte:
Kyoteru, Tome 1 : Enfant de l'ombre, Jee-Yun Jung. A crianca da sombra relata o treino dificil de um pequeno ninja - por mais que se esforce continua a ser o pior da turma - e da relacao dificil com a familia cujas nocoes de honra e de disciplina assustam e intimidam o jovem Kyoteru. Ja aqui falei de Jung (ver especial BD 1) que relatou de forma fria os problemas da sua adopcao belga num livro a preto e branco e desenho a carvao por isso e natural que estejam espantados, eu tambem nao quis creer tratar-se do mesmo desenhador, Kyoteru esta cheio de detalhes vivos e de pequenos mimos para conhecedores da cultura ninja e prova que Jung tem um repertorio vasto e completo. Apesar de ter outras obras do autor este continua a ser o meu preferido. Para amantes da cultura ninja, para rapazes magricelas. Dos 7 aos 14.

relata

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domingo, junho 01, 2008

Especial banda desenhada pt 4 - crianças

Porque hoje é o dia da criança este especial é dedicado aos mais novos, mas não só, eu pessoalmente li todos os livros mencionados e tenho a maioria à espera da minha estante nova. Como imagino que não conhecem as obras tento indicar o mercado, ou seja, para que idades costumam vender embora haja claramente diferenças entre as idades alvo da editora e o público que compra (por exemplo, os primeiros dois cá são lidos por adultos sem preconceitos).

Jojo, André Geerts. Esta fofura de nome Jojo anda na primeira classe e vive com a avó (que faz panquecas todas as tardes) no campo e através de travessuras, de momentos animados e outros mais sérios mostra-nos como foi - ou podia ter sido- divertido ser criança. Geerts consegue mostrar-nos perfeitamente o mundo de uma criança desde o ser castigado por um professor injustamente, a ter de fazer o trabalho de casa quando está um perfeito dia de sol lá fora, a querer a todo o custo um cão até às possibilidades infinitas de brincar numa tarde de verão. Foi uma das primeiras BDs que li em Bruxelas e continuo a achar o Jojo uma das coisas mais adoráveis que já li. Só para crianças? Tenho colegas que compram para os sobrinhos só para poderem ler... Normalmente para o mercado dos 5 aos 9 anos. Recomendo altamente a fofice, até porque acho que os adultos beneficiariam muito mais da magia que os miúdos.

Kid Paddle, Midam. Kid é um miúdo aparentemente normal, adora jogos de computador e irritar a irmã mais velha, contudo, tem uma imaginação demasiado fértil, funde frequentemente os dois mundos: o real e o dos jogos; tortura as bonecas da irmã com experiências científicas (mete-as no microondas, na canalização, corta-lhes membros etc); imagina que o pai - um vendedor de seguros magricelas - é um agente secreto, cinturão negro em vinte mil artes marciais que pode dar cabo do pessoal do Macdonnalds quando este esgota o stock de brinquedos; juntamente com dois amigos inventa formas de não pagar no salão de jogos etc Lê livros de ciência apenas para ter todos os dados para a próxima tortura a um brinquedo da irmã; tem o quarto cheio de monstros que impressionam o estômago mais forte e um professor de matemática que utiliza balas em vez de litros de leite... Normalmente para o mercado dos 9 aos 14 anos. Excelente para rapazes de qualquer idade, para raparigas que não gostam da Barbie e para as que querem provas que os rapazes são parvos. Para os adultos com imaginação e sentido de humor.

Agathe Sangrenu, Vernay & Zabus. Agathe tem seis anos, é diabética e tem mau feitio. Decide contactar o mundo dos monstros porque não tem paciência para as colegas da escola e porque se considera feia; o seu gato Trevor segue-a apesar de ser o segundo gato mais maricas que já vi (o primeiro é o da minha tia). Juntos descobrem que existem vários tipos de monstros: os bons, os maus, os estúpidos, os muito estúpidos, os ingénuos e um sem cara. No mundo dos monstros o Trevor e a Agathe falam a mesma língua e os comentários mais cáusticos e divertidos são os do gato que detesta aventuras e só quer voltar para casa. Normalmente para o mercado dos 6 aos 8 anos. Para miúdas de mau feitio e para quem gosta de monstros.

Bom dia, menino Pai Natal, Robin & Trondheim. Esta BD sem qualquer fala e com desenhos super animados e descritivos segue um dia na vida do Pai Natal, na sua casa, na fábrica de brinquedos e por todo o Pólo Norte. Devido à falta de material o Pai Natal e os seus ajudantes inventaram um sistema de usar lixo como combustível mas ficaram sem lixo no Pólo Norte... Todos os ajudantes: bonecos de neve, diabretes, elfos, penguins e Yéyé, o monstrinho ajudam o Pai Natal a visitar uma cidade grande para recolher lixo. Uma ideia simples, divertida e pedagógica. Para toda a gente a partir dos 3 anos. Não é preciso gostar do Natal.

Brigade fantome, Pedrosa & Chauvel. Um resumo muito simples seria comparar o filme Caça-fantasmas a este tomo da Brigada fantasma mas tirando a ligação fantasmas a chatear o mundo dos vivos mas não há mais pontos em comum. Um guerreiro pré-histórico com fobia a micróbios, uma serpente sensível, um chinês que só pensa em comer, uma africana temperamental e um miúdo francês a habituar-se ao facto de estar morto são a brigada fantasma cheia de truques e improvisação para separar os dois mundos. Dos 6 aos 11 anos.

Ernest & Rebecca, Bianco & Dalena. Rebecca tem seis anos e um sistema imunitário péssimo, está sempre doente mas não está disposta a ser ajuizada: vai brincar para a rua apesar da chuva, vai de fato de banho caçar sapos e dificulta a vida do médico o mais que pode. Um dia durante a caça aos sapos apanha um micróbio chamado Ernest. Ernest pode mudar de forma e tamanho e não tem papas na língua, perfeito para a pequena Rebecca cujos pais não páram de discutir. A irmã mais velha ou está fechada no quarto ou fala ao telefone mas a Rebecca adora-a na mesma. Quase tão adorável como o Jojo, para crianças dos 6 aos 10.

(Não achei imagem, lamento) A missão h...orrível- uma aventura da minhoca Tropicalda, Pedro Massano. Um clássico português à frente do seu tempo, publicada em 1987 a minhoca Tropicalda defende o ambiente e as boas maneiras. Uma nave em forma de arranha-céus invade o paraíso da minhoca Tropicalda (que tem uma série de tunéis e galerias subterrâneas) e destrói tudo num raio de 10kms, ainda por cima a nave vem cheia de monstros felpudos, estúpidos e sim, adivinharam, porcos. Tropicalda apareceu-me à frente em 2003 e continuo orgulhosa dos monstros portugueses de Massano. A partir dos 6 anos até aos 14.

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