Musical "prop 8"
Etiquetas: comédia, Estados Unidos, gay, musica, politica
"The future influences the present just as much as the past." Friedrich Nietzsche
Temo que se disser que o livro lembrou-me imenso de Nietzsche que ninguém o vá ler, deixem-me dissuadir-vos: se não lerem vou até Portugal e mato o vosso cão ou gato com um único tiro de espingarda. Não? ok... Descansem, o livro não é nada deprimente ou pesado apesar das várias influências e temas.
Uma história dentro de uma história dentro de uma história...
The stones gods é a primeira obra de Jeanette Winterson que leio. O nome da escritora está fortemente ligado ao Oranges are not the only fruit de 1983, a história de uma jovem que se apaixona por uma rapariga ao mesmo tempo que os seus pais a preparam para a enviar como missionária de Deus, e por isso acho que ninguém esperava uma incursão pela ficção-científica/ fantástico/existencialismo e análise político-social.
A obra de 246 páginas está dividida em três partes, sendo a primeira a mais extensa e crucial e atrevo-me a dizer a que poderia ser um livro. Como detesto spoilers vou falar apenas dessa parte.
Após guerras ridículas, ataques terroristas, poluição desmesurada e consumismo extremo o mundo ocidental entrou em crise, não há planeta para todos, o fim aproxima-se a grande velocidade. Nem tudo é mau no planeta vermelho, apesar de haver tanta poluição e radiotividade que não é possível sobreviver muito mais há conforto:"R is for Robot. There's Kitchenhand for the chores, Flying Feet to run errands or play football with the kids. (...) . There's Land-a-hand too, for the temporarily unpartnered. We have Robo-paws, the perfect pet - depending on your definition of perfect. We have TourBots, for hire when you visit a new place and need someone to show you around. We have bottom of the range LoBots, who have no feet because they spend all their time on their knees cleaning up. "P.17 As pessoas podem escolher uma idade e através de modificação genética ficar com o corpo dessa idade até morrerem. Há cidades cheias de mulheres de 24 anos e homens de 34.
Eis que um novo planeta é descoberto. Um planeta azul. Billie é enviada numa das primeiras naves juntamente com Spike, uma robot sapiens, uma robot infinitamente sábio e extremamente atraente. Durante a viagem ouve falar do planeta branco, tudo indica que no planeta branco viveram humanos ou pelo menos, humanóides. O planeta de Billie e Spike é agora o planeta vermelho devido a toda à poluição, a toda à destruição. Há tempestades de areia vermelha, criadas pelo excesso de dióxido de carbono. Durante a viagem há discussões sobre a definição do ser humano com a robot Spike a argumentar brilhantemente e de certa forma a ganhar visto que acaba por se envolver com Billie.
O planeta azul não é propriamente território virgem. Há imensa vegetação, água abundante, nenhuma poluição, e, dinossauros. (É aqui que o leitor mais distraído exclama um belo: "espera aí....") Para viver no planeta azul há que eliminar os dinossauros surge então o Capitão Handsome e desvia um asteróide na direcção do planeta. A ideia é causar estragos apenas às criaturas gigantescas, esperar que morram e voltar com uma empresa de construcção civil. Contudo o asteroide tinha outros planos, aterra mais cedo no planeta e com outras coordenadas. O Capitão Handsome acaba de condenar o planeta azul a uma longa idade do gelo...
"Perhaps the universe is a memory of our mistakes. And I shouldn't blame it all on us: there must be planets that are their own mistakes - stories that began and faltered. Stories that ended long before they should."P.106
Etiquetas: ambiente, gay, Leitura, leitura do momento, viagens
Head Injury Theater, Jared Von Hindman. Um dos meus preferidos que não faz particularmente webcomics mas que merece visitas mensais ou semanais, além de banda desenhada e ilustrações o site apresenta insanidade um pouco por todo o lado. Sugiro tirarem uma hora do vosso tempo para descobrirem todas as categorias. Há arte por todo o lado. Para fãs de insanidade e para quem busca algo diferente; às vezes há um bocado de humor negro.
Doodle Alley, de Stephen McCrainie.
Chopping Block, Lee Adam.
Site com várias BDs como Foxtrot, Garfield, Calvin & Hobbes, B.C., 9 to 5, Adam @ home, Cathy, Citizen dog, La cucaracha e muitos muitos mais:
Go comics. O site tem um motor de busca interactivo que vos ajuda a escolher as webcomics que gostam.
Comics. com. Comics para todos os gostos menos o macabro. Imagino que nem toda a gente pode comprar todos os livros que menciono e que alguns podem não se sentir à vontade com o francês ou inglês e a pensar nisso resolvi partilhar um blog brasileiro de ciência, sim, de ciência que contém um link para um arquivo de várias bds em formato PDF. É uma combinação inesperada; quem cresceu com a turma da Mônica não deve incomodar-se com o português do Brasil. A selecção de BDs tem uma super colecção de Will Eisner (sobre o qual falarei no próximo especial), Maus, Batman, Super-Homem, Pride of Bagdad e Robert Crumb - todas gratuitas! (pasta quadradinhos) É uma oportunidade incrível, fez-me voltar acreditar no Pai Natal! Caso o link directo para o arquivo não funcione sigam estas instrucções, prestem atenção, só vou dizer isto uma vez: Abram esta página e leiam (na diagonal) o primeiro parágrafo e cliquem em HD, a página dos arquivos abre e só têm de seleccionar a pasta "quadradinhos".
Etiquetas: BD, calvin and hobbes, garfield, gay, Jogos, media
O especial de hoje volta a incluir obras-primas, livros para todas as idades, BDs para crianças e adultos e alguns dos meus volumes preferidos. Se por acaso lerem algumas das obras que mencionei digam-me o que acharam; lembraram-se de outras obras que ainda não mencionei, apitem... têm um gosto particular mas não sabem o que ler, pode ser que vos possa sugerir qualquer coisa. Lembrem-se que estes especiais também são vossos.
Maus: A survivor’s tale, Art Spiegelman. Dizer que este livro é apenas um relato de um sobrevivente do Holocausto é diminuir a sua importância e arte. O livro conta as experiências de um judeu polaco e a história da sua sobrevivência assim como a sua relação conflituosa com todos os que o rodeiam demonstrando como os efeitos de uma guerra podem ser vistos em gerações posteriores. Os judeus são representados como ratos (maus em alemão), os nazis como gatos, os americanos como cães etc o que mostra o ridículo do racismo e de uma forma bizarra ajuda a humanizar ainda mais a história. Não deixem que o tema vos afaste do livro como me afastou durante muito tempo, Maus é uma obra-prima sobre o que é ser humano, sobre história e os efeitos desta numa família. Depois de ganhar o prémio Pullitzer recebeu tanta atenção que a obra de dois volumes passou a ser utilizada em algumas escolas para abordar o tema do Holocausto a crianças de diferentes idades. Guia para professores aqui. Para fãs do canal história, de Persepolis, de Blankets e de O diário do meu pai.
Y: The last man, Brian K. Vaugn. Já aqui falei sobre esta série (10 volumes), ideal para quem gosta de suspense e de ficção científica, mas não me importo de voltar a elogiar a obra. Quando acabei o primeiro volume fui logo ao Book Depository encomendar o resto da série. Todos os homens do planeta morreram excepto um aprendiz de mágico e o seu macaco de estimação, tem a cabeça a prémio e a responsabilidade de ser um único sobrevivente mas será? As mulheres começam a reconstruir pouco a pouco, quase todos os pilotos morreram, há milhões de carros nas estradas ainda e muitas memórias de familiares perdidos. A história é descrita de uma forma soberba, com detalhes irónicos e suspense digno de Hitchcock. Agora que se vivem os momentos após a praga falta também saber o que a causou. Yorrick tem também de fugir às mulheres que se consideram as Filhas das Amazonas e que os homens eram uma praga. No meio disto há ainda que domesticar o seu macaco que insiste em atirar cócó a toda a gente. Para fãs de Battlestar Gallactica, Bone, Hitchcock, de Buffy e de The escapist.
Goodbye Chunky Rice, Craig Thompson. O autor de um dos meus livros preferidos, Blankets, começou a sua carreira com este pequeno livro. Chunky Rice é uma tartaruga pequenita, com olhos redondos de partir o coração que não se sente bem na sua cidade, isto apesar da amizade profunda que o une a Dantel um ratinho de olhos enormes. Chunky decide partir e encontrar o seu lugar no mundo, este pequeno volume conta a história dessa partida, dessa busca e da força dos laços de amizade; se há livro que sabe explicar como é difícil partir e deixar alguém para trás, como é difícil ter saudades é este.O livro conta também com duas gémeas siamesas estranhas, dois irmãos separados por anos de ressentimento e uma bela colecção de histórias de marinheiros. Não percam este belo conto sobre a amizade. Para fãs de Blankets, Bone, Owly, de Jojo, de Game Over e de fofices.
Small Favors, Colleen Coover. Coover é agora reconhecida como a Milo Manara das lésbicas e encontrou nesta série a sua galinha dos ovos de ouro. Small favors é estritamente para adultos mas enganem-se os que acham que é apenas sexo, humor e aventuras não faltam. Os volumes de "Girly porno comic" contam as aventuras sexuais de um casal de lésbicas nos Estados Unidos, sim, é tudo explícito mas sem ser reles, sem haver silicone e às vezes com um certo toque de sado-masoquismo mas tudo na dose certa. Não é preciso ser homosexual para desfrutar desta leitura, a imaginação e luxúria de cada página são razões suficientes. Quem sabe se não apanham uma dica ou outra? Para quem gosta de sexo e de rir, simples, não?
Usagi Yojimbo, Stan Sakai. Apesar do título pomposo esta série é uma excelente forma de entrar no vasto mundo das mangas sem tropeçar em Pokemons (não tenho nada contra mas não é para mim), é igualmente uma excelente forma de dar os primeiros passos na cultura Bushido, o código de honra dos samurais. Usagi é um samurai ronin, sem mestre, que vagueia pelo Japão oferecendo os seus serviços como guarda-costas. Apesar das inúmeras cenas de luta e batalhas Sakai raramente mostra sangue ou violência oferecendo a velocidade e habilidade de Usagi como justificação o que torna a obra ideal para qualquer idade. Apenas o vilão Hikiji tem forma humana todas as outras personagens são representadas por um animal diferente oferecendo cenas de batalhas dignas de um zoológico. Para fãs de mangas ou para quem não sabe onde começar, para apreciadores de artes marciais e fãs de Kill Bill.
Owly, Andy Ruton. Descobri esta pérolazinha recentemente e estou completamente rendida, um crítico descreveu Owly como o equivalente a receber um abraço e dois volumes depois só posso concordar. Owly é uma coruja bondosa mas extremanente só que pode mostrar a qualquer pessoa de qualquer idade como é importante ter amigos e como às vezes são precisos sacrifícios. Com apenas desenhos super detalhados e alguns símbolos a história avança sem uma única palavra. Ao folhear a obra muitos pensarão que é apenas para crianças a partir dos 2 ou 3 anos mas eu vi dois trintões soltarem alto um "awwww" durante a leitura.
Para corações de manteiga, fãs de Jojo, Mamette e de Miyazaki.
Próximo especial será dedicado a Will Eisner, o Papa das grapic novels (romances gráficos). Daqui a dias chega o segundo especial Webcomics.
Especial BD 1. Especial BD 2. (especial clássicos) Especial BD 3. Especial BD 4.(especial crianças) Especial BD 4.5.
Etiquetas: arte marcial, battlestar galactica, BD, cartoons, comédia, gay, Japão, Leitura, lição, livros, TV
Hoje o especial dedica-se aos "realistas", não no sentido literal mas em termos de desenho, e às vezes em termo de histórias também. Alguns autores acompanham-me há alguns anos, outros descobri-os em Bruxelas (já mencionei que já não tenho espaço para os livros de BD?), todos tocam no que é ser "adulto" mesmo que tenham muito pouco em comum. Mesmo uma história de fantasia pode ser extremamente realista, ora vejamos...
Jirô Taniguchi, O homem que caminha. Admito que foi difícil escolher entre O homem que caminha (não encontrei uma imagem da capa portuguesa) e O diário do meu pai, mas já dizia um ingénuo lisboeta: "não há amor como o primeiro". Longe dos estereótipos europeus sobre as mangas Jiro Taniguchi é um fenómeno de vendas não só por ser talentoso e original mas por ser dotado de uma sensibilidade extrema. Este pequeno volume acompanha a personagem principal pelos seus passeios pela cidade, enquanto passeia o cão, enquanto observa a cidade e os seus pensamentos. Dizer que é um livro sobre um homem que caminha pode parecer simples mas Taniguchi consegue mostrar-nos toda uma cidade e toda uma vida a cada página quase que nos permitindo caminhar lado a lado com as suas personagens. Ocasionalmente algo na rua ou num jardim desperta uma memória, um pensamento e o leitor envolve-se ainda mais nos quadradinhos a preto e branco. Recomendo vivamente. Para os curiosos sobre a cultura oriental, para quem acha que mangas são o Kill Bill em papel.
Chicken with plums, Marjane Satrapi. Devido ao sucesso mundial de Persepolis (BD e filme) este pequeno volume pode passar despercebido injustamente. Desde que comprei o livro há uns meses que tenho feito um esforço para melhorar a minha técnica de vendas, visto que: "é sobre um homem destroçado pelo fim da sua música que decide pedir a Deus para morrer" não resulta muito bem. Chicken with plums é mais sobre a vida do que sobre a morte e não é sobre suícidio mas sim sobre enfrentar desgostos, as nossas famílias e as suas idiosincrasias e como encontrar forças para continuar quando o que mais amamos na vida está fora do nosso alcance. Repleto de pequenos detalhes que nos abrem as portas sobre a vida e a cultura do Irão e de um sentido de humor inesperado, esta pérola é um estudo em quadradinhos sobre a natureza humana. Recomendo sem limitações, para fãs de Persepolis, Mafalda e de personagens humanos.
Vou tentar ter a parte 4 pronta a tempo do dia da criança; yep, o próximo especial é para os petizes (se bem que eu tenho quase todos os volumes que menciono).
Etiquetas: BD, biografias, gay, Japão, Leitura, livros, Mafalda, Ray Bradbury
"Matter of fact, studies show, that no society that has totally embraced homosexuality has lasted more than, you know, a few decades.(...)
I honestly think it's the biggest threat even, that our nation has, even more so than terrorism or Islam, which I think is a big threat. OK?
Not everybody's lifestyle is equal, just like not all religions are equal."Entre outras pérolas a senhora disse que ser homossexual é como ter um cancro num dedo do pé, o que já de si é curioso - porquê um dedo do pé? Porque não se vê? E apenas num dedo? E que dedo? No pequenino?
Bom... acho que toda a gente tem direito a uma opinião, sem dúvida, mas gostava que verificassem os factos. Gostava por exemplo de ter uma lista dessas sociedades que desapareceram de forma a poder passar a mensagem aos meus professores de história que , coitados, nem sonham que andaram a formar gerações de jovens com dados incompletos. E já agora, quanto tempo depois de terem aceite, abraçado ou lá que era, a homossexualidade é que essas sociedades desapareceram? A senhora fala em décadas mas quantas? Duas? Quatro? Um século? Tenho mesmo muito interesse em saber porque estou a viver na Bélgica onde o casamento homossexual é legal e verdadeiramente igual ao heterossexual e convém-me saber quanto tempo tenho antes de isto tudo desaparecer. Vou prestar muito mais atenção à Holanda, aos países escandinavos e ao Reino Unido, assim se derem o badagaio sei que está na hora de mudar de país porque a Bélgica será o próximo país. Ao menos tenho o consolo de que a Espanha irá primeiro que nós. Suspiro.
Resposta da Ellen Degeneres, que como muitos de vocês sabem, quando não faz piadinhas anda de escola em escola a juntar assinaturas de crianças da primária para o clube gay. Parece que está quase nas cem mil.
Desde o liceu que tenho imensos problemas com a tradição de ligar a biografia do autor à sua obra, cheguei a ter "trocas de impressões" com professores que se recusavam a ver para além da vida pessoal. Admito que há obras intrinsecamente ligadas a determinados momentos da vida de um/a escritor/a como a obra de Maya Angelou... ou qualquer obra do Hemingway em que determinada personagem é alcoólica. Mas onde encaixar todas as obras que nasceram da imaginação, do sonho e sim, por que não? Do trabalho dum escritor? Quer-me parecer que quem tem dificuldade em aceitar que há neste mundo obras brilhantes que são fruto de génio e não de notas tem dificuldade em acreditar ponto. Uma professora do liceu costumava introduzir um poema com uma descrição dos acontecimentos na vida do poeta no ano em que o poema fora escrito (em alguns casos no ano em que se julgava ter sido escrito), na altura não liguei muito, era preciso estudar a vida do poeta logo era melhor prestar atenção mas lembro-me de "macacar" o caderno todo quando a dita senhora analisava o poema de acordo com os acontecimentos na vida do poeta: Camilo Pessanha e uma mulher de cabelo verde nas ondas do mar? Ora isto foi devido ao ópio. (se bem que aqui é bem possível). Fernando Pessoa e A mensagem? Vejamos, sim, frustração com o estado actual das coisas em Portugal porque nessa altura... Álvaro de Campos? Homenagem a Walt Whitman (aqui num belo daguerreótipo). Como se o poeta não pudesse imaginar o sentimento descrito, escrever sobre algo que leu, sobre um amigo, sobre algo que sonhou e/ou viu sob efeito de drogas. E isto chateia-me muito menos do que a mania da Fnac (por exemplo) de encaixar escritores homossexuais como Oscar Wilde (obra online em formato pdf) na secção gay & lesbian quer a obra tenha conteúdo homossexual ou não, The picture of Dorian Gray pronto e tal, ainda aceito, mas The importance of being Earnest? As histórias?...
Isto tudo porque houve alguém que me perguntou o porquê da biografia do Boris Vian, se era para compreender a obra melhor. Só quem nunca leu Boris Vian é que perguntaria tal coisa - quando os títulos não tem nada a ver com o conteúdo, veja-se o exemplo de Outono em Pequim: a acção decorre num longo verão na Mesopotâmia e as citações que introduzem os capítulos tanto vêm de outras obras literárias como de enciclopédias de química ou de folhetos apanhados do chão. Acontece que o Boris Vian que também foi músico de jazz, actor, inventor, tradutor, jornalista entre outras coisas morreu aos 39 anos de idade com uma obra vasta e interessante. Não li a biografia da Katherine Hepburn para perceber os seus filmes melhor (se bem que esclareceu algumas das suas escolhas e fiquei a saber o que realmente achou de alguns) mas pelo puro gozo da leitura:
"Stone-cold sober, I found myself absolutely fascinating."
Eu percebo que me digam que faz parte do programa escolar e que os professores são obrigados a seguir as regras mas uma coisa é falar da vida dum escritor, outra coisa é falar da sua obra, da sua escrita. O contexto histórico, cultural e social é muito importante mas não se o escritor viveu numa casa em vez de um apartamento e como essa diferença - talvez os seus amigos vivessem todos num apartamento - fez com que escrevesse um dos marcos da literatura mundial. A ironia é que isto muitas vezes é um grande exercício mental por parte daqueles que defendem que as obras surgem de factos reais, tal é o fundamentalismo que acabam por "imaginar" uma ligação da obra ao autor. O melhor é mesmo fazer-se como antigamente as senhoras da terrinha da minha avó faziam: faziam uma pergunta, abriam uma bíblia ao acaso e liam a primeira frase que encontrassem, tendo assim acesso à resposta do Senhor.
Vou experimentar com o meu livro favorito do Boris Vian, O arranca-corações:
"-Não - suspirou ela.- Os miúdos já estão deitados. Entretanto, ia desabotoando o vestido, mas Jaime-morto reteve-a. -E se falássemos um bocadinho? -propôs ele. - Não vim aqui para isso - obtemperou ela. - Se é para aquilo, quero, mas conversar, não. -Só queria perguntar-te uma coisa - disse ele. Ela despiu o vestido e sentou-se em cima da erva. Sentiam-se, ali, naquele recanto afastado do jardim, como se estivessem dentro de uma caixinha."
Etiquetas: biografias, Boris Vian, gay, Leitura
» Hoje à tarde fui à Fnac para comprar auscultadores para o computador. Agora já me podem ligar através do VoipBuster (que graciosamente oferece chamadas grátis para rede fixa) ou através do Skype (chamadas de um computador com Skype para outro Skype gratuitas). Ambas companhias são muito mais baratas do que as companhias tradicionais e têm serviço sms.
» Ainda na Fnac perdi-me na secção dos dvds (esta Fnac está muito mal servida de livros mas tenho já duas livrarias junto do coração) e descobri coisas engraçadas, ora vejamos:
- Existem cerca de 64 séries policiais e eu apenas achei duas interessantes, o Cold Case e o clássico Murder She Wrote.
-A série Will & Grace está em promoção, de 50 euros passou para 17,95. Deus existe.
-O Alfred Hitchcock estava na secção "comédia" com cerca de 27 filmes (alguns nem eram para rir e não tinham o The trouble with Harry).
-A edição "import" da primeira época do Prison Break custa 92 euros.
-Na secção "humor" está a categoria "gay & lesbian".
-Na secção "gay & lesbian" está a edição especial do Planeta dos Macacos.
»No eléctrico para casa não pude deixar de ouvir uma conversa entre um belga e um indonésio, toda num inglês muito peculiar. Tenho quase a certeza que o belga estava bêbado e que esteve perto de levar uns tabefes pelas piadinhas: "halá halá halá, é assim que vocês rezam? cinco vezes ao dia halá halá halá?" (isto imitando as vénias feitas pelos muçulmanos); o que eu acho que o safou do enxerto de porrada foi a seguinte troca de pérolas (o indonésio já o estava a fitar com um olhar negro):
Belga: Are you a married man?
Indonésio: No.
(silêncio)
Belga: You are not a husband man?
Indonésio: No.
Belga: That's good. That's good. Here we say a good man is a married man. Are you a bad man?
Indonésio (primeiro olha para a amiga que tentou traduzir enquanto eu mordia a bochecha para não rir): No.
Belga: You are not a bad man?? (disse-o quase em cima da cara do indonésio)
Indonésio: Batman?
(eu comecei a rir e virei a cara)
Belga (surpreso): Batman?
Indonésio: Batman or blackman?
Belga: What?
Indonésio: You said batman or blackman?
Belga: Batman? Blackman? (pára durante três segundos) Blackman?
Indonésio: Batman?
(eu e a senhora ao meu lado estávamos vermelhas com o esforço de não rir)
Belga: Who is blackman?
Indonésio: You didn't say Blackman?
Belga: No, badman.
Indonésio: Batman.
Nisto desatam os dois a rir e a repetir "blackman". A amiga tradutora ria-se também e olhava o belga com incredulidade. Tive de sair na minha paragem e a senhora ao meu lado sorriu-me cúmplice. A última coisa que ouvi foi o belga a dizer.
- Yeah, he could be a brown bad man.