quarta-feira, dezembro 03, 2008

Quarta-feira em Bruxelas: lição cultural

Belgian Side Story: Flandres Vs Wallonie.

Etiquetas: , , , , ,

terça-feira, novembro 11, 2008

Abadia de Stavelot pt 2 - Coo

Coo é uma vila vizinha de Stavelot, além do nome engraçado tem muito que se veja. Mesmo no inverno podem alugar bicicletas, kayaks, fazer caminhadas etc Há também duas quedas de água (uma pequena e uma pequenina): Ma, para mim, o melhor que Coo pode oferecer são paisagens dignas de postais: Abadia de Stavelot pt 1.

Etiquetas: , , ,

segunda-feira, novembro 10, 2008

Abadia de Stavelot pt 1

A Wallonia até pode ter menos dinheiro e mais desemprego mas tem uma série de segredos bem escondidos que vale bem a pena descobrir. Como a abadia e a vila Stavelot (cerca de 1h45m sul de Bruxelas):Esta é a torre da igreja original (e única parte inteira por assim dizer). Stavelot fica muito perto de Francorchamps, terra do circuito de corridas fórmula 1. Daí a primeira exposição ser dedicada a carros e motos que correram no circuito desde a sua construção. Uma das minhas partes preferidas foi ver uma exposição dedicada à Ferrari em frente ao altar da capela, diz muito simbolicamente, não diz? A meio da exposição havia uma sala com quatro playstations 2 e duas playstations 3 com jogos de corridas disponivéis. Descobri-a por acaso e enquanto escolhia uma carrinha que cuspia fogo fui chamando o resto do pessoal aos gritos. Adoro museus modernos. Do nosso grupo de quatro pessoas, três não resistiram a um joguinho... A abadia tem três museus e espaço para exposições temporárias, a foto acima pertence ao museu Guillaume Apollinaire (um poeta e artista local) foi outra bela surpresa.

Página oficial.

Etiquetas: , , , , ,

segunda-feira, julho 21, 2008

Dia nacional da Bélgica

E onde estamos neste país irrequieto? Depois da terceira demissão do primeiro-ministro o Rei decidiu dar-lhe a oportunidade para se demitir uma quarta vez. Ontem no seu discurso anual o Rei fez questão de relembrar a todos os belgas que é preciso encontrar uma forma de viverem juntos sem toda esta azáfama política.

Entretanto começo a perceber isto tudo um bocadinho melhor: Há a minoria flamenga que quer a indepêndencia, os flamengos que não gostam de estrangeiros e votam no partido de extrema-direita e os flamengos "normais"; há também os wallons que são extremistas e que querem ser anexados à França (ou seja, separados da Flandres) e os wallons que começam a mentalizar-se que mais cedo ou mais tarde a Bélgica deixará de existir; portanto temos estas cinco "personagens" envolvidas mais os estrangeiros, como eu, que cá vivem e os estrangeiros ligados à UE.

Para haver separação é preciso haver uma maioria num referendo e nenhum dos lados com extremistas - flamengos que querem ser independentes ou os wallons que querem fazer parte da França - tem sequer um terço da população. Ou seja, se um dos lados realizar um referendo não tem hipóteses de ganhar. Nem de longe.

Então porquê toda esta confusão e pânico contante ao longo do último ano e meio? Bem, por um lado não sei e acho que os jornais e os extremistas aproveitam-se do facto da maioria da população não perceber bem o que se passa e instam mais medo do que o necessário. Mas por outro estes dois lados têm de se entender para uma decisão ser tomada em relação a tudo. Para terem uma ideia todos os orçamentos estão à espera de aprovação desde 2007, as acções do governo belga e do banco belga estão a descer porque o mercado bolsista não tem confiança num país sem governo, a economia do país piora a cada mês sem governo.

Hoje no dia nacional belga há bandeiras belgas por todo o lado, mais do que no ano passado devido à instabilidade, o Rei até tem razão, sabem? Se milhões conseguem entender-se no seu dia-a-dia por que não consegue o governo?

Vou participar nas celebrações porque gosto do país e não apenas de uma comunidade ou outra e porque Bruxelas é interessante precisamente porque pertence a duas comunidades e a estrangeiros confusos. Há museus com bilhetes a 1e, fogo de artifício, parada militar, feiras, barraquinhas de comida, igrejas abertas ao público só hoje... vou juntar-me a um grupo de japoneses com máquinas fotográficas e mostrar as fotos do que um dia foi a Bélgica aos meus netos? Ou vou continuar a rir-me disto tudo? Para já vou rir-me dum detalhe das celebrações: quem quiser e gostar de emoções fortes pode ir até ao palácio da justiça e saltar do telhado em rappel.... estes belgas são doidos.

Etiquetas: , , , , ,

terça-feira, julho 15, 2008

Mas eu já não vi este filme?

Ontem o primeiro ministro belga demitiu-se - pela segunda ou terceira vez, já nem sei. O dia nacional belga é já segunda-feira e não há governo, nem acordo à vista, o rei ainda não se pronunciou mas aposto que também lhe apetece distribuir uns reais tabefes.

Para os fracos de memória sugiro visitarem os arquivos do fim do mundo com a etiqueta "Bélgica", quando me apetece rir um bocadinho costumo ir lá parar.

Etiquetas: , , ,

sexta-feira, julho 11, 2008

Hoje é o dia nacional da Flandres

É feriado apenas na Flandres. Há festa e concertos gratuitos em Bruxelas. Apareçam - falem inglês! Se há dia para não falar francês com os flamengos é hoje!

Etiquetas: ,

sexta-feira, junho 20, 2008

O Maio de 68 flamengo I

Em 1968 Leuven (Louvain para os wallons) tinha uma das duas universidades mais importantes da Flandres (a outra fica em Gent/Gand) mas por razões que me escapam as aulas eram em francês e não era permitido tê-las em neerlandês. Influenciados pelo Maio de 68 os estudantes flamengos insurgiram-se contra a discriminação e como resultado passamos a ter a Katholieke Universiteit Leuven e a Université Catholique de Louvain.

Disto desta forma até parece um acontecimento banal mas não é bem assim, a Katholieke Universiteit ficou em Leuven, na Flandres, e a Université Catholique teve de ser construída de raíz... na Wallonie (começou a ser construída em 1969). E no fim ficam a 30km de distância. Criou-se a vila Louvain-la-neuve (nome super original, eu sei) que começou a ser habitada em 1972.

O mais giro nesta história é que a biblioteca também sofreu: de A - M está tudo em Leuven e de M a Z os livros estao na Wallonie. Estes belgas são doidos!

Etiquetas: , , ,

terça-feira, junho 17, 2008

A Bélgica é perfeita para cartoonistas

Lembram-se de há dias ter mencionado a disputa entre flamengos e wallons sobre as três terrinhas (os três porquinhos)? Pois bem, como a história está longe de terminar o cartoonista Kroll pensou numa solução possível: um túnel. O solo continua a ser da Flandres mas os wallons passam por baixo e continuam a lá morar. Piadas à parte, esta solução faz muito mais sentido do que as propostas apresentadas pelos partidos.

Etiquetas: , , , , , ,

quarta-feira, junho 04, 2008

As subtilezas belgas

Este cartoon do artista Kroll exemplifica perfeitamente a situação na periferia de Bruxelas. Não sei se se lembram mas Bruxelas tecnicamente pertence à Flandres, basta ver no mapa como dizem os flamengos; contudo é uma região à parte, não só é a única parte bilingue do país como a nível de votos tem muito que se lhe diga. Ora quando há eleições Bruxelas e a sua periferia contam como uma única área, a Flandres como outra e a Wallonie como outra; contudo há três terrinhas na periferia bruxelense que apesar de estarem na Flandres, apesar de estarem rodeadas de flamengos são maioritariamente wallonas. O que é que isto quer dizer? Que se for a Linkebeek (e vale a pena só pelo melhor restaurante Thai na Bélgica) vou falar francês e que se sair dois metros da terrinha tenho de falar flamengo. Os flamengos andam há anos a lutar por estas três terrinhas, sobretudo nos anos mais recentes, ao ponto de ao fim de seis meses de negociações não se podia formar governo porque os flamengos insistiam que estas três vilas começassem a contar para as eleições flamengas e os wallons não podiam ceder porque praticamente só há wallons nas três vilas.

Como o cartoon ilustra as três vilas - os três porquinhos - não se vão deixar apanhar pelo lobo mau - os flamengos- isto é quase poético. Quase. E como é que os flamengos reagem? Um pouco como o Cavaco Silva quando acha que esta a ser modesto, ignoram pura e simplesmente e continuam a insistir no mesmo ponto. Em contra-partida na Wallonie também há três vilas que só falam flamengo e lá há menos sarilho mas há sarilho na mesma. Para evitar que esta situação se repita os flamengos impuseram a regra que para comprar casa ou terreno na Flandres é preciso ou falar flamengo ou provar intenção de o fazer (incrição numa escola, por exemplo), a União Europeia diz que isso é discriminar e não pode ser, os flamengos dizem que não têm medo do lobo mau da comissão... Como disse, isto é quase poético ou épico ou estúpido, já não sei.

Etiquetas: , , , , , ,

domingo, maio 25, 2008

Música belga pt III - os flamengos

Desculpem a demora mas com a morte do meu portátil era impossível continuar a falar sobre a música belga (ou qualquer outra); entretanto um disco rígido e 130euros depois recuperei o meu computador mas dos 12 gigas de música só me restam 100 megas. Prevejo muitas horas a passar cds para o portátil...

Deixo-vos com os músicos flamengos, como por todo o lado muitos cantam em inglês mas não todos. E sim, adivinharam, os wallons não os conhecem...

Essence ism Princezz'I - Kevin.

Eva de Roovere - Over & weer.

Flip Kowlier- elicopter.

Het Zesde Metaal - Peis je nog aan mie.

Atenção: os últimos três cantam e escrevem num dialecto particular.

Raymond van het Groenewoud - Vlaanderen boven. (espécie de hino à Flandres, as imagens ajudam a seguir o texto, acho eu).

Zornick feat Tom Helsen - hey girl.

Tom Helsen - Easy.

Caso à parte: Axelle Red. É flamenga mas canta em francês motivo pelo qual muitos pensam ser wallona, os flamengos fazem questão de corrigir atempadamente. Devia estar na categoria "belga" mas visto que só descobri que era flamenga depois da sua publicação decidi deixá-la com os flamengos. Canção: "Je t'attends".

Mais música belga: wallons e belgas.

Etiquetas: , , ,

sexta-feira, abril 11, 2008

Música belga pt II - os wallons

Com menos fundos para divulgação a Wallonie está cheia de bandas e artistas cujo reconhecimento é limitado. Uma lista completa de músicos wallons pode ser consultada aqui.

Girls in Hawaii - Casper.

Front 242 - Agressiva due.

Orquestre du Mouvement Perpétuel - All & nothing show.

Machievel - Fly.

Viver em Bruxelas não me facilita a pesquisa musical, não só a capital belga é uma "ilha" na Flandres, como também há tanto mas tanto estrangeiro que é muito difícil filtrar a informação. Tenho um pouco a sensaçao que viver em Bruxelas nem sempre é viver na Bélgica. Talvez com a excepção da primeira banda (montes de posters por Bruxelas) duvido que os flamengos conheçam a música da Wallonie.

Etiquetas: , , ,

quarta-feira, março 19, 2008

Música belga pt I

Foto do Mont des Arts, o chamado quarteirão artístico de Bruxelas, foto tirada da torre do museu dos instrumentos musicais.

Como tudo neste país de modernaços onde não pára de chover há duas semanas (grrrr) também a música belga tem muito que se lhe diga. Existem os músicos belgas, os que são reconhecidos por todos os belgas, os internacionais (como os Vaya con dios, dEUS, Lara Fabian, Django Reinhardt, Jacques Brel e os K's choice) e existem os que só são conhecidos na Flandres e os que só são conhecidos na Wallonie (ainda não disponho de informações sobre a minoria alemã). Tal com os canais de televisão que raramente se encontram, as rádios só passam a música de outra comunidade se a canção passar ao nível seguinte, ao nível belga. É tudo muito complicado. Para começar deixo-vos com os belgas, daqui a dias mostro o lado flamengo e o lado wallon.

Toots Thielemans - "You're my blues machine".

Hooverphonic - "Mad about you".

Orzak Henry - Free haven.

Kate Ryan - Desenchantée.

Sarah Bettens - Stay.

Etiquetas: , , ,

sábado, dezembro 22, 2007

Já temos governo!

Parece um milagre de natal, não é? Quase sete meses sem governo e agora há um. Eu nem queria acreditar que havia acordo. Logo de seguida informaram-me que não há acordo nenhum. Pois é, meninos, esta malta não se entende e o rei perdeu a paciência - chamou o ex-primeiro-ministro, que tinha perdido as eleições, e ordenou-o a formar um governo temporário e na Páscoa há novas eleições.

O que é que me faz confusão nisto tudo? Bem, quase tudo. Primeiro, esta birra de sete meses entre as duas comunidades é muito estranha. Segundo, o rei não tem poder nenhum, excepto persuasivo, não pode ordenar coisa nenhuma por isso acho que deve ter uma retórica incrível e que a devia ter utilizado para arranjar um acordo e não um governo fantoche. Terceiro, o tipo que perdeu as eleições vai para primeiro-ministro? Quarto, os belgas estão contentes com o fim da palhaçada mas quem diz que não se repete ou piora na Páscoa?

Etiquetas: , ,

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Enquanto o país existe

Update belga:

Nas áreas à volta do aeroporto os residentes tomaram a decisão de não vender terrenos/casas a pessoas que não falem neerlandês ou que não tenham prova de que estão a aprender a língua.

A Miss Bélgica levou nas orelhas por não falar neerlandês. (artigo em inglês)

Para quem tiver interessado e falar francês ou neerlandês (legendas) podem ver aqui um resumo da famosa notícia falsa, uma verdadeira peta de 1º de Abril, em que a Flandres declarava independência, a Bélgica não existia e o rei saía do país. Uma das minhas partes favoritas é uma verdadeira partida dos transportes públicos wallons (já me queixei deles aqui antes): pararam a meio do percurso e anunciaram aos passageiros que devido à declaração de independência não estavam autorizados a entrar na Flandres. Toda a gente no eléctrico acreditou e foram a pé; no comboio disseram que a polícia iria verificar os passaportes, é triste como levamos a sério a autoridade. E quase no fim vemos a polícia wallona a participar na brincadeira:

- Chef, il n'a y plus de Belgique!

- Merde.

Lá a meio lá admitiram que eram peta mas o pânico já estava por toda a Wallonie, como a maioria dos flamengos não vê os canais franceses só no dia seguinte é que deram por ela. Ver aqui. E aqui outro resumo desta feita dum canal francês.

(quem foi o palerma que me disse que a Bélgica era aborrecida e cinzenta?)

Etiquetas: , , ,

sábado, dezembro 15, 2007

O reino belga resiste ainda e sempre

Para celebrar os seis meses sem governo o jornal Le Soir decidiu vender o dvd da famosa emissão da RTBF em que a Flandres declarava independência. Caso não se lembrem a notícia era falsa e era suposto não passar de uma piada mas a meio ano de braço de ferro para formar governo o dvd é agora uma série de culto; o velhote da tabacaria avisou-me logo que o dvd estava esgotado e que estavam a planear uma reedição. Este fim de semana o principal jornal flamengo De standaart edita o mesmo dvd mas com legendas flamengas, já pedi para reservar...

Etiquetas: , , ,

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Vejo que as notícias já chegaram aí

Copyright Bandeira.

A "crise belga explicada aos tótós" (apenas em francês).

Etiquetas: , , ,

domingo, novembro 18, 2007

Unidos e trilingues!

Aos 161 dias sem governo os belgas parecem estar verdadeiramente fartos dos seus políticos: 140 mil pessoas assinaram uma petição pela união da Bélgica e entregaram-na ao chefe do senado, hoje de manhã 35 mil pessoas desfilaram por uma Bélgica unida. Isto está a ficar sério, meninos. Está um frio do caraças e no entanto estas pessoas saíram de casa com as suas bandeirinhas num domingo de manhã. Se bem que gosto da forma como acabam a manifestação: há cerveja e batatas fritas ao som de um concerto gratuito. Eu também sou pela Bélgica unida, afinal de contas não sobrevivo sem batatas fritas e cerveja.

Fotos do movimento pela Bélgica unida.

Site oficial.

I want you Belgium.

Curta-metragem "Je t'aime/ Ik hou van jou" (basicamente uma mostra do que estão orgulhosos no seu país)

Etiquetas: , ,

quinta-feira, outubro 25, 2007

137 dias sem governo

Entretanto os jornais belgas divertem-se com:

1) A evolução das negociações. Se bem que as coisas parecem estar melhor agora, já há acordo sobre a maioria das pastas.

2) Na freguesia de Sant-Josse houve conflitos sérios entre turcos e curdos com carros e um centro cultural a serem incendiados.

3) Na periferia de Bruxelas (ou seja, na Flandres) há uma zona com quase exclusivamente wallons (mas bilingues) e este iniciaram uma luta pelo direito de poderem enviar documentos oficiais em francês. Não sei se se lembram mas apenas Bruxelas é bilingue. Convocou-se o que parecia ser uma reunião normal e a polícia enviou meia dúzia de guardas. Os extremistas flamengos souberam da reunião e decidiram juntar-se à festa. Foram precisos reforços para prender dezenas ou simplesmente retirar da sala. A parte mais gira foi quando os últimos dois flamengos batiam com a porta - para terem uma ideia: os flamengos eram a maioria na reunião e no fim restavam dois - um dos wallons usou o argumento mais utilizado pelos flamengos:

- Tiveram mais do que tempo para aprenderem francês e serem bilingues!

Apesar de não gostar de extremistas achei piada à estratégia dos extremistas flamengos: sempre que alguém falava em francês um levantava-se e gritava: A Flandres é flamenga! E era depois escoltado por um polícia. Ler as notícias agora é como seguir um folhetim.

Etiquetas: , , ,

sábado, outubro 13, 2007

A Bélgica unida jamais será vencida?

Como resposta ao crescente movimento separatista (ver Flandres vs. Wallonie e independência) surgiram imensas bandeiras belgas por todo o lado. Confesso que a princípio pensei tratar-se de restos de um feriado qualquer mas ao que parece milhares de belgas começaram a hastear bandeiras nas varandas e janelas (lembram-se como foi no Euro 2004?) como forma de protesto contra o governo que não existe e contra todas as birras recentes. Só na zona de Bruxelas na semana passada surgiram mais de seis mil bandeiras. O poder político ainda não comentou.

Etiquetas: , ,

domingo, novembro 19, 2006

A galinha de Bruxelas

Aqueles que me conhecem melhor (olá!) sabem que no secundário sucumbi a uma febre de Vergílio Ferreira. (Até bem meio da faculdade era o meu escritor português preferido cedendo lugar a José Gomes Ferreira, seguido sorrateiramente por David Mourão-Ferreira. Agora partilham o pódio com José Rodrigues Miguéis - que também viveu em Bruxelas, coitado.) A febre só passou com uma forte exposição. Um pouco como - e espero que os meus professores nunca vejam esta metáfora - só se cura uma mordida de cobra com pequenas doses de veneno de cobra.

Li um atrás do outro: Aparição, Manhã submersa, Até ao fim, Na tua face, Alegria breve, Contos, Cartas a Sandra, Para sempre etc Chegou ao ponto de quando me ofereceram o Em nome da terra, romance que a crítica elogia tanto como o Aparição, não o consegui ler. E, de facto, não o li. O livro, se não o emprestei, está na Madeira à espera de dias melhores. Não leio Vergílio Ferreira há uns bons três anos. E no entanto, continuo a listá-lo como dos meus escritores favoritos. (Para os curiosos o meu livro preferido é o Alegria breve e o meu título favorito é o Manhã submersa. )

Fontes seguras afirmam que o meu primeiro contacto com a sua obra foi através do conto "A galinha" (http://www.ficcoes.net/biblioteca_conto/a_galinha.htm).

O conto foi estudado ou no meu oitavo ano ou nono ano, a professora era a mesma por isso é difícil ter a certeza. Felizmente essa professora não sabe da existência deste blog.

O conto é mais complicado do que a minha mente inocente de treze anos contemplou. E é muito mais português do que na altura pensei.

Não há uma galinha dos ovos de ouro, há uma galinha dos problemas. O narrador, um pouco como o leitor, está incrédulo com o desenrolar dos acontecimentos - e que acontecimentos, meninos!

E toda essa confusão lembra-me a casmurrice que destoa entre a eterna luta entre o lado francês e o lado flamengo da Bélgica. Se calhar até já há um conto sobre isso mas ainda não o descobri. Aliás, deve haver um conto flamengo e um conto francês. Cada com a sua versão. Como muitas das nossas batalhas com Castela...

Etiquetas: , , , ,