domingo, janeiro 25, 2009

Livros de viagem: sim ou não

Pois é, estou quase na Tailândia. É um pouco surreal mas é verdade. Estou de rastos, farta de jantares, almoços e copos de despedida, odeio caixas e malas mas de resto está tudo bem. Tratei de enviar a maioria dos livros em inglês para a escola, ao menos lá terei muito que ler em inglês. Entretanto ando a tentar escolher que livros portugueses é que levo. Têm de ser interessantes, bons, apelantes etc porque vou carregá-los até ao fim do mundo e não os posso deixar lá, afinal de contas o pessoal lá não percebe.

As hipóteses são:

  • Em nome da terra, Vergílio Ferreira. Apesar da minha já mencionada febre V.Ferreira nunca li este livro. Vantagens: tamanho e velocidade de leitura. Desvantagens: será que estou pronta para recomeçar com V. Ferreira? Parei após não sei quantos livros seguidos, se calhar era um sinal.
  • O ano da morte de Ricardo Reis, José Saramago. Vantagens: adorei o Memorial e não tenho problemas com a pontuação/escrita dos modernistas, antes pelo contrário. Desvantagens: a edição não é das melhores e não sei se sobreviverá ao suor. Consegue-se ler Saramago desbotado?
  • Doze contos peregrinos, Gabriel Garcia Marquéz. Vantagens: Saber que ainda só não gostei de um livro de Garcia Marquéz (claro que foi o primeiro). São 12 contos, posso ir lendo e serão 12 histórias diferentes. Desvantagens: os últimos três livros de G.M. que li, voaram muito depressa. Preciso de livros para um ano todo.
  • As aventuras de João Sem Medo, José Gomes Ferreira. Vantagens: ser de um dos meus autores preferidos e um dos meus livros preferidos. O formato livro de bolso. Desvantagens: entusiasmar-me com a história e achar que devo partilhá-la com os meus futuros alunos e ficar maluca com a tradução. Não queremos nenhum momento Kurtz na selva, certo?
  • A viagem do elefante, José Saramago. Vantagens: a vontade de o ler desde que soube a história. Desvantagens: Implicaria não levar o outro volume de Saramago?
  • Margarita e o Mestre, Bulgakov. Vantagens: Outro favorito pessoal, anima qualquer neura. Formato capa dura ajuda nas viagens. Desvantagens: Já o li, má edição que poderá borrar com o calor tropical. Pode alterar o meu sentido de humor num país simpático mas suscéptivel.
  • O arranca-corações, Boris Vian. Quase que coloquei este livro num altar e dei por mim a possuir várias cópias (já corrigi o erro). Vantagens: adoro. Desvantagens: adoro.
  • O livro do dessassossego, Bernardo Soares/Fernando Pessoa. Comecei a lê-lo na faculdade mas tive de o devolver antes de o terminar. Vantagens: um marco na literatura, tanto serve para poesia, filosofia como para romance. Já comecei a ler e estava a gostar. Desvantagens: o tamanho e o formato anti-viagem. Se bem que deve ser óptimo para matar baratas tropicais. Eu odeio baratas.

Já agora, caso estejam curiosos, os livros em inglés que devo levar são:

  • His dark materials, Phillip Pullman.
  • A fraction of the whole, Steve Toltz.
  • This is your brain on music, Daniel Levitin.
  • Rough guide to Thailand.
  • Rough guide to travel survival. Ensina a matar baratas tropicais.
  • Lonely Planet's guide to South-East Asia on a shoestring.

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terça-feira, janeiro 20, 2009

Leitura criminosa

Lê-se muito mais depressa do que eu esperava. Acho que o meu lado sádico esperava mais detalhes ou razões mas o livro "apenas" compila justificações de vários assassinos. De vez em quando há uma ilustração. De vez em quando soltei uma gargalhada no metro, em troca recebi olhares. Se fosse uma personagem do livro os olhares teriam sido mortos à facada ou algo assim. Eis alguns exemplos:

"ERRATA Onde se lê: Matei-a porque era minha. Leia-se: Matei-a porque não era minha."

"Negou ter-me pedido emprestado o quarto volume... Um buraco nas costelas, como aquele na prateleira."

"Foi por pura teimosia. Não custava nada para ele ter feito. Que não, não e não. Vocês não podem imaginar. Há gente assim. Mas quanto menos houver, melhor."

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domingo, janeiro 11, 2009

Leitura de morte

Há meses li algures uma crítica sobre este livro e anotei o título num dos meus cadernos. Não sabia que iria demorar meses a encontrar o livro (na Madeira) nem que mal chegasse a Bruxelas o iria encontrar na versão original e com desconto. (Mas estou contente por voltar a ler em português.) Por ter passado tanto tempo não me lembro exactamente o que li que me fez querer ler o livro. Posso garantir-vos que de certeza que não tinha lido algo como "vais chorar pelo menos quatro vezes".

A rapariga que roubava livros, the book thief, vale muito a pena a leitura mas após meses de espera deixou-me com uma ligeira sensação de que a montanha pariu um rato. Não sou grande fã de histórias cuja acção decorre numa das grandes guerras, sou um bocado demasiado maricas para dizer a verdade. Contudo a contra-capa avisava-me. Digamos que a ideia de ter a Morte como narradora pareceu-me inovadora e interessante (e foi) e gosto da ideia de uma rapariga que rouba livros.

Eu não estava era a contar com uma rapariga que sofre como uma desalmada junto a personagens que sofrem desalmadamente ou que fazem sofrer. Sempre que a rapariga roubava um livro e o lia o livro parecia ganhar outro alento. As descrições da narradora por vezes pareceram-me um pouco forçadas. A vida das personagens principais rodeou-me completamente, daí o chorar quatro vezes.

Uma vez disse a um escritor português que não tinha gostado do seu livro mas que o dito cujo me tinha feito chorar e que um livro que nos movia era um livro importante. Ou algo assim, já não sei bem. Devia ter ficado calada, até devo ter ofendido o homem... Embora tenha gostado do livro não gostei de tanto sofrimento e dor. Se bem que há partes hilariantes. Leiam se puderem mas se forem tão maricas como eu sugiro verem um filme da Pixar depois.

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sexta-feira, dezembro 12, 2008

A fraction of the whole

Há dias apercebi-me de duas coisas:

1) da quantidade de folhas com citações de livros que tenho pelo apartamento (e se calhar mais em Portugal), chego a encher uma caixa(!)

2) que não costumo partilhar as ditas frases. Eis algumas do A fraction of the whole:

A ver se me esforço por melhorar o segundo ponto:

"We were lazy people on an adventure, flirting with life but too shy to go all the way."P.6

"(...) when you put that much effort to forget someone, the effort becomes a memory."P.9

"People don't understand me(...) it's sometimes irritating because they think they do."P.22

"(...) Anyone who says a friend of theirs hasn't changed in years just can't tell a mask from an actual face." P.23

"I feel like I took a wrong turn but went so far down the road I didn't have the energy to turn back.(...) It's never too late to turn back if you make a wrong turn. Even if it takes you a decade to backtrack, you must do it. Don't get stuck because the road back seems too long or too dark. Don't be afraid to have nothing." P.210

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quinta-feira, dezembro 11, 2008

Leitura "brilharete"

Citando o Bibliotecário de Babel (com quem concordo quando diz que A fraction of the whole devia ter ganho o Booker prize deste ano e não o The white tiger):

"A Fraction of the Whole, de Steve Toltz, é um romance ambicioso, divertido, complexo, caótico, filosófico, inventivo, transgressor, labiríntico, aforístico, quilométrico, quase sempre exasperantemente bom, às vezes genial. (...)

(...) um deslumbrante tour de force: caótico, filosófico, labiríntico, divertidíssimo e sem o mínimo sentido das proporções. Ao longo das suas 710 páginas, acompanhamos a complexa relação de Jasper Dean com o seu pai, Martin, e deste com o seu irmão, Terry (um criminoso que se torna o homem mais idolatrado da Austrália (...)). No caso desta obra, qualquer tentativa de sinopse é vã, tantas são as linhas narrativas e os «livros dentro do livro» com que Toltz vai criando um universo proliferante e agónico, em que as tragédias se sucedem e cada uma consegue ser pior do que a anterior. Ostensivamente talentoso, capaz de oscilar entre a melancolia e o sarcasmo num décimo de segundo, Toltz tem uma concepção épica da literatura, como se esta fosse um lugar onde tudo pode ainda acontecer. Se tivesse feito parte do júri, era em The Fraction of the Whole que eu votaria."Do Diário do Booker.

Posso apenas dizer-vos que não me lembro de ter ficado tão impressionada com uma obra de estreia como fiquei com A Fraction of the whole. Toltz quase que escreve demasiado bem (o palerma) e ora puxa de filósofos em quem não pensava há anos ou abana tudo com histórias de personagens que davam outros livros. Mesmo o fim do livro deixa-nos com a sensação que poderia continuar o brilharete por mais 700 páginas, ou se calhar eu é que queria continuar. Para resistir à tentação de o ler uma segunda vez ainda hoje comecei a reler o The seekers de Daniel J. Boorstin e vou encomendar A Sane Society de Erich Fromm (é referido por uma das personagens). Espero que esta não seja uma "one hit wonder" e se há candidatos a escritores por aí recomendo a lição de humildade.

Podem ler as primeiras páginas de A fraction of the whole aqui.

Amanhã partilho algumas frases/citações do livro.

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segunda-feira, dezembro 08, 2008

Dedicatória

I can recite to you

the exact whereabouts

of my soul

before we met.

it was a rather tedious place.

Eric Simmons.

Mais fotos aqui.

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quinta-feira, dezembro 04, 2008

Leitura pescadinha de rabo na boca

"The future influences the present just as much as the past." Friedrich Nietzsche

Temo que se disser que o livro lembrou-me imenso de Nietzsche que ninguém o vá ler, deixem-me dissuadir-vos: se não lerem vou até Portugal e mato o vosso cão ou gato com um único tiro de espingarda. Não? ok... Descansem, o livro não é nada deprimente ou pesado apesar das várias influências e temas.

Uma história dentro de uma história dentro de uma história...

The stones gods é a primeira obra de Jeanette Winterson que leio. O nome da escritora está fortemente ligado ao Oranges are not the only fruit de 1983, a história de uma jovem que se apaixona por uma rapariga ao mesmo tempo que os seus pais a preparam para a enviar como missionária de Deus, e por isso acho que ninguém esperava uma incursão pela ficção-científica/ fantástico/existencialismo e análise político-social.

A obra de 246 páginas está dividida em três partes, sendo a primeira a mais extensa e crucial e atrevo-me a dizer a que poderia ser um livro. Como detesto spoilers vou falar apenas dessa parte.

Após guerras ridículas, ataques terroristas, poluição desmesurada e consumismo extremo o mundo ocidental entrou em crise, não há planeta para todos, o fim aproxima-se a grande velocidade. Nem tudo é mau no planeta vermelho, apesar de haver tanta poluição e radiotividade que não é possível sobreviver muito mais há conforto:"R is for Robot. There's Kitchenhand for the chores, Flying Feet to run errands or play football with the kids. (...) . There's Land-a-hand too, for the temporarily unpartnered. We have Robo-paws, the perfect pet - depending on your definition of perfect. We have TourBots, for hire when you visit a new place and need someone to show you around. We have bottom of the range LoBots, who have no feet because they spend all their time on their knees cleaning up. "P.17 As pessoas podem escolher uma idade e através de modificação genética ficar com o corpo dessa idade até morrerem. Há cidades cheias de mulheres de 24 anos e homens de 34.

Eis que um novo planeta é descoberto. Um planeta azul. Billie é enviada numa das primeiras naves juntamente com Spike, uma robot sapiens, uma robot infinitamente sábio e extremamente atraente. Durante a viagem ouve falar do planeta branco, tudo indica que no planeta branco viveram humanos ou pelo menos, humanóides. O planeta de Billie e Spike é agora o planeta vermelho devido a toda à poluição, a toda à destruição. Há tempestades de areia vermelha, criadas pelo excesso de dióxido de carbono. Durante a viagem há discussões sobre a definição do ser humano com a robot Spike a argumentar brilhantemente e de certa forma a ganhar visto que acaba por se envolver com Billie.

O planeta azul não é propriamente território virgem. Há imensa vegetação, água abundante, nenhuma poluição, e, dinossauros. (É aqui que o leitor mais distraído exclama um belo: "espera aí....") Para viver no planeta azul há que eliminar os dinossauros surge então o Capitão Handsome e desvia um asteróide na direcção do planeta. A ideia é causar estragos apenas às criaturas gigantescas, esperar que morram e voltar com uma empresa de construcção civil. Contudo o asteroide tinha outros planos, aterra mais cedo no planeta e com outras coordenadas. O Capitão Handsome acaba de condenar o planeta azul a uma longa idade do gelo...

"Perhaps the universe is a memory of our mistakes. And I shouldn't blame it all on us: there must be planets that are their own mistakes - stories that began and faltered. Stories that ended long before they should."P.106

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sexta-feira, novembro 28, 2008

Leitura premiada

Não costumo seguir prémios e afins, contudo este ano graças ao Bibliotecário de Babel segui mais ou menos os prémios Man Booker e o Goncourt. O Bibliotecário de Babel tentou ler os finalistas todos e dar a sua opinião antes do anúncio do vencedor. Dos seis finalistas ficou pela página 180 do sexto livro, o que na minha opinião é muito impressionante. (pouco depois fez o mesmo para o prémio Goncourt)Mas como estava a dizer, não costumo comprar livros por causa de prémios, mas admito que é uma forma interessante de um livro ou escritor ficar conhecido. Só soube da existência do The White Tiger quando a lista de finalistas foi anunciada e a livraria inglesa ao pé do meu trabalho fez um destaque. Fiquei curiosa para folhear o derrotado A Fraction of the Whole, de Steve Toltz mas como hoje não o encontrei começo pelo vencedor. Os outros não me chamaram. Quem sabe mais para a frente. Afinal de contas tive o Naif. Super. na minha prateleira dois anos até me decidir a lê-lo e devorei-o em três dias. Isto com os livros nunca se sabe. Também comprei o The Stone Gods de Jeanette Winterson e o Revolutionary Road de Richard Yates (que espero ler antes de o filme estreiar). Encomendei o Apollo's song do grande Tezuka e o Jupiter's travels de Ted Simon. Numa altura em que me preparo para mudar de país devia ter mais juízo e pensar nas minhas costas a carregarem caixas repletas de livros mas enfim...

Quanto ao The White Tiger ainda não sei muito, ainda só vou na página 30. O protagonista, um empresário indiano, escreve ao primeiro-ministro chinês e conta-lhe a sua história. Como ponto de partida usa um poster usado para o descrever e às suas origens. Parece ser um poster de "procura-se criminoso". Em pequenos detalhes menciona aqui e ali os contrastes indianos: rico e pobre, mau e bom, grande e pequeno etc

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quinta-feira, novembro 27, 2008

leitura indiana

Li-o há duas semanas mas esqueci-me de mencionar. Em contrapartida escrevi imenso sobre o livro no blog inglês. Este fim de semana termino tudo e dou-vos a morada.

Quem quiser saber como foi na Índia, só tem de ler os primeiros capítulos de Holy Cow! e lembrar-se que não sofri tanto como a autora.

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terça-feira, novembro 25, 2008

Leitura nórdica

«A minha vida tem sido estranha nos últimos tempos. Chegou a um ponto em que perdi o interesse por tudo.» Naif. Super., Erlend Loe, P.13
Aos vinte e cinco anos o protagonista tem uma crise existencial. Acabou o curso e não sabe o que fazer a seguir. Perde um jogo com o irmão e desata a chorar. Durante dois meses fica sozinho na casa do irmão a fazer listas, a enviar faxes a um amigo distante, a andar de bicicleta, a construir castelos de areia com o filho de um vizinho, a ler partes de um livro sobre o tempo e a martelar numa tábua de martelar. Sabe que em tempos teve entusiasmo pelas coisas, por alguma coisa. E apesar do tema o livro não parece ter limites para as piadas e comentários irónicos.
Este livrinho cheio de ironia e sarcasmo deve muito ao Catcher in the rye. Para quem acha que a literatura norueguesa é toda séria e importante como o Knut Hamsen, talvez este (tradução portuguesa disponível) livro não seja uma má introdução.

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sábado, novembro 15, 2008

Poça

". . . imagine a puddle waking up one morning and thinking, 'This is an interesting world I find myself in, an interesting hole I find myself in, fits me rather neatly, doesn't it? In fact it fits me staggeringly well, must have been made to have me in it!' This is such a powerful idea that as the sun rises in the sky and the air heats up and as, gradually, the puddle gets smaller and smaller, it's still frantically hanging on to the notion that everything's going to be alright, because this world was meant to have him in it, was built to have him in it; so the moment he disappears catches him rather by surprise. I think this may be something we need to be on the watch out for." Douglas Adams.

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terça-feira, novembro 11, 2008

Leitura do momento

Por algum motivo estranho ou simbólico o In Patagonia está esgotado assim como o What am I doing here?.

Anatomy of restlessness era o terceiro na minha lista de livros de Bruce Chatwin mas acabou por ser o primeiro. O livro apresenta uma série de inéditos: ensaios, contos, estórias, relatos e crítica literária, é até uma boa introdução à obra de Chatwin porque podemos absorver diferentes géneros contudo alguns textos dão a sensação de estarem inacabados.

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quinta-feira, novembro 06, 2008

As queixas de George Orwell

Nem tudo correu bem quando viveu na Birmânia:

"In Moulmein, in lower Burma, I was hated by large numbers of people—the only time in my life that I have been important enough for this to happen to me.

In the end the sneering yellow faces of young men that met me everywhere, the insults hooted after me when I was at a safe distance, got badly on my nerves. The young Buddhist priests were the worst of all.

Theoretically—and secretly, of course—I was all for the Burmese and all against their oppressors, the British. As for the job I was doing, I hated it more bitterly than I can perhaps make clear. In a job like that you see the dirty work of Empire at close quarters. The wretched prisoners huddling in the stinking cages of the lock-ups, the grey, cowed faces of the long-term convicts, the scarred buttocks of the men who had been flogged with bamboos—all these oppressed me with an intolerable sense of guilt.

I perceived in this moment that when the white man turns tyrant it is his own freedom that he destroys. He becomes a sort of hollow, posing dummy, the conventionalized figure of a sahib. For it is the condition of his rule that he shall spend his life in trying to impress the “natives,” and so in every crisis he has got to do what the “natives” expect of him.

And my whole life, every white man’s life in the East, was one long struggle not to be laughed at."

O texto está disponível online.

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segunda-feira, outubro 27, 2008

Descobertas

Descobri blogues/sites novos, partilho cheia de amor:

Soul sides. - Um audioblog dedicado à música soul e r&b. Belas surpresas.

Mozart - Archiv - Arquivo (audio) completo da música de Mozart. O site é um pouco confuso e está maiortariamente em alemão e inglês mas não é de navegação impossível.

Bookbrunch - ideal para não ficarem atrás das novidades editoriais, livrescas e afins. Há um blog e notícias para além do site principal.

BiblioFilmes - muitos trailers para livros.

Papel en blanco - blogue em castelhano sobre as novidades e notícias livrescas. Em relação à literatura espanhola e latino-americana está bem actualizado.

Pó dos livros - blogue da livraria pó dos livros (que infelizmente abriu depois de ter emigrado), quem não conhece dou uma pista: Bulhosa... Tem citações de livros para abrir o apetite, se nunca sabem o que ler podem ir espreitando o blogue.

Em breve juntar-se-ão à minha família de links. Sugerem mais alguma coisa?

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sábado, outubro 25, 2008

O fim de um livro

Normalmente mataria quem me revelasse o fim de um livro ou conto mas há algum tempo a American Book Review decidiu fazer uma lista das melhoras frases finais de livros. Nada como listas destas para vermos o mundão de livros que ainda não lemos, ou há quanto tempo lemos este ou aquele. Um dos livros já nem me lembrava de ter lido, que desgraça...

Alguns exemplos:

3. So we beat on, boats against the current, borne back ceaselessly into the past. –F. Scott Fitzgerald, The Great Gatsby (1925)

37. P.S. Sorry I forgot to give you the mayonnaise. –Richard Brautigan, Trout Fishing in America (1967)

40. Oedipa settled back, to await the crying of lot 49. –Thomas Pynchon, The Crying of Lot 49 (1965)

45. Are there any questions? –Margaret Atwood, The Handmaid’s Tale (1986)

A lista aqui.

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quinta-feira, outubro 23, 2008

intermitências

Peço desculpa por mais este interregno, passei demasiado tempo em frente ao computador e estou à rasca do ombro. Volto para a semana. Deixo-vos com a crítica do James Wood ao livro Intermitências da Morte de José Saramago.

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segunda-feira, outubro 20, 2008

Os livros da viagem

Como já aqui mencionei tenho por tradição comprar um livro em cada país que visito, posso até comprar mais mas normalmente compro um de um escritor local. Desta minha estadia na Índia e curta visita a Helsinki comprei os seguintes: A fine balance de Rohinton Mistry. Ainda não comecei, só sei que a acção passa-se no fim dos anos 70 em Mumbai. The god of small things de Arundhati Roy. Estou a meio. Conta a história de uma família do sul cujos gémeos foram separados e cresceram em partes diferentes do país, há muitos inuendos políticos e sociais. O princípio não foi dos melhores. Moominsummer Madness de Tove Jansson. Um de uma série longa de livros para crianças da escritora e cartonista finlandesa que relata aventuras várias dos Moomins. Os Moomins fisicamente são um misto de hamsters e hipopótamos; são super adoráveis. Tenho pena de não ter trazido mais, além de fofos enfrentam as adversidades e coisas novas com uma calma de espírito e de mente invejável.

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domingo, agosto 03, 2008

Citação de domingo

"Time Safari, inc. Safaris to any year in the past. You name the animal. We take you there. You shoot it.

(...) 'Does this safari garantee I come back alive?' 'We garantee nothing', said the official, 'except the dinossaurs.' "

"A sound of thunder", Ray Bradbury.

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quinta-feira, julho 17, 2008

Leitura musical

Não conheço outro livro tão bom sobre a música soul, embora se limite à música soul do sul é um compêndio incrível para conhecedores, fãs, curiosos e estudiosos. Guralnick foge à escrita institucional sem passar por fã super excitado e admite logo à partida que mesmo após cinco anos de pesquisa mal tinha começado o trabalho. Quase sem me aperceber fui fazendo uma lista de artistas que não conhecia e recomendo o processo para quem não conhece muito deste género musical - mesmo os que conhecem vão acabar por tomar notas, suspeito. Aprofundar conhecimentos com uma escrita tão ligeira e interessante até parece bom demais.

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domingo, julho 13, 2008

Obsessão do momento

Yoshihiro Tatsumi é um dos 'WIll Eisners' do Japão mas por alguma razão estranha o seu trabalho só começou agora a ser traduzido. Ainda só existem três obras disponíveis em inglês e francês de 1969 a 1972. Comprei as três num espaço de dois dias e lamento não saber japonês para continuar a descoberta. Tatsumi quebrou as regras ao pegar na linguagem das mangas e usá-la em banda desenhada com histórias literárias, contos quotidianos; quebrou as regras igualmente ao mencionar vez e vez sem conta os efeitos da cultura sexualmente restrita do Japão e falou de Hiroshima de uma forma tocante sem ser melodramático, mostrando pela primeira vez ao ocidente como foi reconstruir uma vida depois de tanta violência. Recomendo seriamente.

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