quarta-feira, janeiro 14, 2009

Especial Banda Desenhada parte 7

Hoje não há quarta-feira em Bruxelas, muito simplesmente por falta de tempo. Mas há este especial BD que estava na fase "rascunho" há semanas e que espero que compense.

Obra completa, Sempé. Não consigo escolher só um livro mas posso sugerir alguns como Rien n'est simple, Comme par hasard, Luxe, calme et volupté, Insondables mystères. Sempé é mais conhecido pela série O menino Nicolau mas as suas ilustrações encantam-me há anos. Na minha humilde opinião poucos (ou mesmo ninguém) iguala o traço ora humorístico ora maroto ora irónico de Sempé. As suas ilustrações conseguem ter o valor de uma anedota bem contada ou de uma história partilhada com amigos. Ainda estou para descobrir alguém que com tão pouco numa página consiga espelhar a infância e as diferenças caricatas entre crianças e o modo destas verem o mundo dos adultos. Para todos com sentido de humor e ironia e para quem quer (re)lembrar-se da infância. Para o filho que diz que ninguém o compreende.

Fables: legends in exile, Bill Willingham & Ian Medina. Imaginem que as personagens dos contos de fadas fossem reais e vivissem exiladas no nosso mundo. Imaginem o Lobo Mau como um detective privado que tem de conter o mau feitio de forma a não revelar o seu lado lobisomem, a Branca de Neve após um divórcio litigioso com o Príncipe Encantado (um engatatão de primeira) e o Monstro e a Bela em sessões de terapia conjugal. Tudo isto bem msturado a um homicídio nas barbas de toda a gente. Uma leitura envolvente e surpreendente. Para quem gosta de contos de fadas, para quem acha que é demasiado velho para contos de fadas.

Jacques Delwitte: Little White Jack, Max de Radiguès. Uma obra belga para variar. Um guitarrista genial anda pela rua a tocar a troco de moedas, é chamado para ajudar uma banda nova com o novo disco e os flashbacks ajudam-nos a descobrir uma carreira bem sucessida e as razões do fim da carreira. Um desenho pastoso que se destaca do traço imediato da maioria das obras actuais. Jacques é inspirado num músico de rua de Bruxelas, contudo a história é fictícia. Para gosta de música de rua, de desafios e de BDs com desenho diferente.

Je t'ai aimé comme on aime les cons (original: Te quise como sólo se quiere a los cabrones), Giménez & Fonollosa. Após o fim de uma relação, longe de ser perfeita, e após quatro anos longe da cidade natal, Miranda é obrigada a regressar a casa dos pais. Como lidar com uma mãe que parece mais destroçada do que ela, com as amigas mais do que dispostas a dizer mal do ex (mais do que Miranda até) e com as memórias boas e más da relação? Como acabar uma relação e manter o sentido de humor também era um título que funcionava. Não digo para irem já a correr oferecer um a alguém que esteja a sair de uma relação mas é para quem ao menos já namorou alguém e hoje se pergunta porquê.

Too cool to be forgotten, Alex Robinson. Se me dissessem que iria regressar ao liceu por tempo indeterminado garanto-vos que iria entrar em pânico. Pois Alex foi apenas fazer hipnose para deixar de fumar, acontece que a génese do problema, do seu vício estava precisamente no liceu. Como é que um homem de 40 anos reage ao ser enfiado para dentro do corpo de um adolescente magricela, com aparelho e borbulhas? Ainda por cima sem aviso prévio. Enquanto enfrenta medos e rufias passados o leitor tem direito a rir dos anos 80. Para quem conhece os liceus (anos 80 ou não) e não tem particularmente vontade de lá voltar.

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quarta-feira, dezembro 10, 2008

Direitos humanos: desde 1948

Vídeo da Amnistia Internacional que relembra os artigos da declaração dos direitos humanos:

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quinta-feira, novembro 13, 2008

Especial Banda Desenhada - parte 6 - dose dupla

Nem sei como é que deixei passar tanto tempo desde o meu último especial... Espero compensar o desleixo nos próximos tempos. Hoje o especial é dedicado a artistas com duas ou mais obras que adoro e eu não soube escolher só um para o especial. O especial contém igualmente três grandes mestres cujo trabalho marcou e mudou a história da BD.

Buddha, Osamu Tezuka. (8 volumes). Não deixem que o tamanho desta obra épica vos assuste, vale cada página. Tezuka é tão importante para a história das mangas e da banda desenhada como o Walt Disney é importante na história da animação. Trouxe características "manga" como os olhos enormes e as expressões de espanto para uma história supostamente sisuda como a vida de Buddha e influenciou entre outros Stanley Kubrick e Maurício de Sousa (sim, o da Mônica). Buddha é uma obra inesperada e surpreendente, mostra ao mesmo tempo o crescimento e desenvolvimento da vida e santidade de Buddha ao mesmo tempo que relata a violência e a sexualidade de outras personagens. Há muitos ângulos inesperados (para uma BD) e no fim ficamos com a ideia de que vimos um filme, um biopic da vida de Buddha e de personagens contemporâneas fictícias. É uma excelenente forma de mostrar o budismo e a sua doctrina pondo-a em contexto sendo ao mesmo tempo uma BD que custa a parar de ler. Para fãs de: Budismo ou curiosos, Astro-Boy, de mangas (embora este se leia na ordem ocidental), da série Tom Sawyer de Miyazaki.

A Contract with God e New York, Will Eisner. Um preferido pessoal. Tenho adiado falar nesta obra por achar que merecia mais destaque mas o tempo foi escasso. Will Einer foi mais importante do que eu sei explicar, hoje há os prémios Will Eisner nos Estados Unidos, os Oscars da BD. A contract with God foi uma das primeiras graphic novels, romance gráfico. Sem este livrinho muita BD de hoje em dia não existiria. Houve graphic novels antes mas nenhuma desta qualidade. É uma colecção de contos cuja acção se desenrola no mesmo bairro, a maioria dos habitantes são judeus emigrados nos Estados Unidos e entre os seus problemas pessoais a BD lida com a sua integração na sociedade americana e com as dificuldades das gerações seguintes. O desenho é muito realista embora em momentos de crises as personagens se tornem caricaturas delas mesmas ou se encolham ou afundam de formas pouco naturais que fazem o leitor querer dar-lhes um abraço. New york é uma antologia de vários volumes sobre a vida na grande cidade, sobre New York, desenhos de pessoas com demasiada pressa para viver, da vida dura de um emigrante no pós-guerra etc O volume Invisible people por exemplo lembrou-me de quando cheguei a Lisboa pela primeira vez. Dois dias depois tinha comprado quase toda a obra de Eisner. Para fãs de: Dostoevsky, Craig Armstrong, Maus: A survivor's tale, Kurt Vonnegut, Michael Chabon, José Carlos Fernandes.

Fraise et chocolat (2 volumes) e Je ne verrai pas Okinawa, Aurélia Aurita. Fraise et chocolat é quase um clássico de culto francês, facto que me manteve afastada do livro durante dois anos, até que recentemente descobri o Je ne verrai pas Okinawa... Aurita desenha com lápis fino de uma forma tão corriqueira que por um momento pensamos ser fácil desenhar. Tem o dom de fazer com que cada página pareça ter sido desenhada no autocarro, mas quando olhamos uma segunda vez apercebemo-nos que aquilo deve ter dado imenso trabalho. Fraise et chocolat relata as aventuras amorosas e sexuais de um casal francês no Japão. Os detalhes sexuais são muito explícitos e cómicos, não há detalhes Hollywoodescos de como tudo é perfeito à luz das velas e o primeiro volume é talvez a melhor descrição dos primeiros meses de uma relação sexual que já vi. O segundo volume acompanha uma relação mais madura mas ainda muito sexual assim como uma tournée BD e outros detalhes culturais do Japão. Os livros têm um sentido de humor muito apetitoso. Je ne verrai pas Okinawa é quase todo passado no aeroporto de Tokyo e ilustra de forma genial as dificuldades burocráticas de entrar num dos países mais fechados do mundo, o Japão. Apesar da autora ter dinheiro, de receber direitos de autor e de não ser uma ameaça para os trabalhadores japoneses as autoridades proibem-na de ficar os três meses que o visto permitia. Aurita tinha planeado visitar Okinawa nessa visita... É um relato dos tempos em que vivemos. Podem ver páginas de amostra aqui. Para fãs de: Small Favors, Milo Manara, nouvelle manga, Anais Nin, Tatsumi.

Elle(s) e Hollywood San (com Michael Sanlaville), Bastien Vives. Se algum dia fizer um especial sobre BDs para jovens este "miúdo" terá lugar de destaque. Digo miúdo porque é mais novo do que eu, o estúpido. Elle(s) segue um jovem de 26 anos que sem saber bem como, vê-se no meio de duas jovens de dezoito anos e das suas aventuras, desventuras e dos seus namorados também. Há sms, festas, cinema, amizades...Quem acha que está desligado das novas gerações pode aproveitar a leitura fácil. Hollywood Jan relata a história de um adolescente franzino, Jan (/ian/), que sofre como muitos de nós sofremos no liceu. Há rufias, professores arrogantes, colegas cruéis e o Jan sente-se invisível. E ainda por cima uma das professoras é amiga da mãe (também me aconteceu...) Para o ajudar há (I kid you not) o Arnold Schwarzenegger, o Sylvester Stalone e o Russell Crowe. Com a sua imaginação mortal e sedutora, o jovem Jan ora imagina conversas com os miúdos populares ora o Arnold a matar o pessoal todo. Mas e aquele hábito de pensar em voz alta?... Para fãs de: Wonder Years, Coupling, Le combat ordinaire. Parece-me especialmente indicado para leitores jovens (quer de idade ou mentalmente).

Abandon the old in Tokio, The push man e Good-bye, Yoshihiro Tatsumi - Já cá falei no senhor mas as únicas três obras traduzidas merecem mais destaque. Exactamente, o grande mestre japonês só tem três obras traduzidas no ocidente. É uma vergonha. Se há obra que nos faz abrir os olhos e apercebermo-nos que o Japão é um país longe dos estereótipos, com problemas como o nosso, com pessoas traumatizadas com o pós-guerra, com pessoas deprimidas, com gente que não gosta do trabalho, com filhos que não querem ser responsáveis pelos pais, com mulheres chatas, com homens ansiosos por ver pornografia num país altamente censurado, pessoas à beira de um esgotamento porque a vida não é nada do que tinham sonhado quando era novos etc são estes livrinhos. Qualquer história de Tatsumi permite-nos ao mesmo tempo sentir pena dos japoneses, desdém por personagens humanas (mas) cruéis, permite-nos descortinar um pouco as pressões de uma sociedade com uma hierarquia muito complicada e antever muitos esgotamentos. Temos sempre a sensação que estamos a desvendar um segredo muito bem guardado, que o Japão não são só gueixas, samurais, templos e ordem... Para fãs de:Dostoevsky, Aki Shimazaki, Osamu Tezuka, Coco Wang, Orhan Pamuk,para ver o Japão com outros olhos.

Où le regard ne porte pas...(2 volumes), George Abolin e Olivier Pont. Em 1906 a família de William troca Londres por uma vila italiana, os italianos não ficam muito satisfeitos e há uma tensão no ar. Mas para quatro miúdos de dez anos, isso não tem importância. Entre as aventuras dos petizes e as confusões dos adultos há sonhos, memórias de outros tempos, as crianças parecem lembrar-se todas dos mesmos acontecimentos. De outra vida? O segundo volume passa-se vinte anos depois, há vinte anos que os quatro protagonistas não se viam, há o matar saudades habitual, um ajustar de contas e uma viagem à Costa Rica para procurar o quarto rapaz. Entretanto os sonhos, visões são cada vez mais fortes e parecem ser pistas para o paradeiro do rapaz. Para fãs de: mistérios, Brian Weiss, BDs de época.

Especiais anteriores: Especial 5. Especial 4. Especial 4.5. Especial 3. Especial 2. Especial 1.

Especial BD online 1 e 2.

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terça-feira, novembro 04, 2008

É por estas coisas que nunca vejo sequelas

Na sequela do clássico Lady and the tramp (Dama e vagabundo) há três filhotas bem comportadas e um filhote mal comportado. As três filhotas são uma cópia da mãe e o filhote uma cópia do pai. Excepto que a mãe acha graça às travessuras do filho e pai - o vagabundo, rafeiro das nossas infâncias - acha que o miúdo está mais do que na idade de ganhar juízo e adaptar-se às regras da família. "Each family has its own rules, and it's about time he learns them." Explica com o focinho sério.

Na sequência de abertura, para meu mal toda ela cantada (é um filme Disney, certo?), se seguirmos todas as pistas e consultarmos o dicionário de símbolos conseguimos antever perfeitamente todo o filme. O que nos podia ter poupado:

a) um bilhete de cinema se o filme não tivesse ido logo para DVD. b) uma visita ao clube de vídeo ou à feira da ladra. c) duas horas de vida nestes tempos tão difíceis.

Mas como os tempos são outros e eu quase que nunca caio em patranhas (não é verdade, caio em muitas mas normalmente não são da sétima arte) fui espreitar o filme no fosso dos nossos tempos, o You Tube. Já perdi a conta das vezes em que decidi não ir ver um filme devido a um mau trailer (filmes portugueses, franceses e americanos com a criança fofa da década) ou em que arrastei vários para verem um filme com um bom trailer (um português, cinco franceses, muitos ingleses e americanos, dois russos, três mexicanos e um mongol). O you tube dá realmente muito jeito. Posso ver trailers de filmes e de livros, posso ver entrevistas, desenhos animados, fanfiction, posso fazer pausa naquela cena do filme pornográfico sem ter de pedir desculpa aos meus convidados, posso ver vídeos palermas quando estou cansada, etc etc etc Mas estou a perder o fio à meada. Falava-vos da cena de abertura do Lady and the tramp 2.

Após o castelinho Disney, não há menções honrosas para a produção, nem nomes de actores. Mesmo antes do título começam a cantar. É um filme Disney caso não tivessem reparado nas três vezes em que o nome aparece. Baixo o volume e resmungo entredentes. A minha parceira de visionamento reclama e lá tenho de levar com a canção. Há uma vista aérea e aos poucos vamos nos aproximando da família Tramp, como no Google Maps, estão a ver? Vemos a cadela Lady e o cão Tramp de nariz para o ar todos contentes, seguidos de três cadelinhas - adoráveis como as gémeas Olsen eram na série Full House - que caminham de cabeça erguida e de olhos fechados. Eu também andava assim quando era miúda mas depois a minha mãe pôs-me de castigo. A câmara continua. Aliás, a câmara está quieta e eles é que avançam. Ainda não me habituei à full motion no ecrã do computador. Vemos o carrinho do bebé - o tal que a Lady salvou de um rato malvado com olhos vermelhos - vemos a mãe a empurrar o carrinho, o pai a segurar nas cinco coleiras... cinco? ah! Ok, nas traseiras, aos pulos e com som está o filhote Scamp. O Scamp está a tentar apanhar uma borboleta, como é um filme Disney sabemos que ele não vai conseguir apanhá-la. Afinal de contas o império dos contos de fadas não pode deixar um cão animado morder e matar uma borboleta animada, ainda põem as crianças a chorar e lá temos mais um momento "a mãe do Bambi morreu? Mas morreu porquê?" Vão lá explicar isto a uma turma da terceira classe enquanto sopram o nariz nas mangas. Ainda me espanta que não tenha havido um único americano com tomates para processar a Disney por trauma de infância. Ok, lá estou eu outra vez....

Até ao Scamp perder a borboleta estamos a 1 minuto e 2 segundos do filme. E o que é que já sabemos? Que o Scamp é um fixolas. 10 segundos mais tarde sabemos que é o 4 de Julho e que há festa. A dona da família Tramp, conhecida também como mãe do bebé, pergunta a uma velhota amorosa (nunca são) se vai à festa de logo à noite ao que a senhora responde afirmativamente e por alguma razão que ainda estou para perceber abre um cesto que trazia e mostra dois gatos siameses malvados. Eu tive um gato siamês como vizinho e garanto-vos que é má estirpe. Se parar aqui o filme o que é que sabemos sobre a acção e fim do dito cujo? 1) O Scamp vai arranjar sarilhos. 2) O pai Tramp já esqueceu que também já foi rafeiro. 3) O Scamp vai fugir de casa durante o fogo de artifício do 4 de Julho depois de os siameses descendentes de satã o assustarem. 4) O Scamp vai divertir-se à grande e à francesa pelas ruas, vai aproveitar-se de uma cadela menor e ingénua cujos pais acham que está a dormir na casota. 5) O Scamp foge quando ouve falar em gravidez inesperada. 6) O pai Tramp arrepende-se da forma com que falou com o filho e decide procurá-lo nas ruas onde costumava prostituir-se. 7) O ex-chulo do Tramp decide vingar-se "by going medieval on his ass". 8) O Scamp salva o pai por mero acaso enquanto fugia da família da cadela menor e já não tã ingénua. 9) Os gatos siameses com olhos trocados são atropelados por um camião da campanha republicana. 10) Tramp e filho regressam a casa e são felizes para sempre. Nota sobre a produção: não custava muito gravar um cão a ladrar? É que o actor nem imitava bem... Parei de ver o filme aos 5 minutos e 14 segundos. Agora vou ver o Atonement.

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quarta-feira, setembro 03, 2008

A rentrée

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quarta-feira, julho 02, 2008

Especial banda desenhada PT 5

O especial de hoje volta a incluir obras-primas, livros para todas as idades, BDs para crianças e adultos e alguns dos meus volumes preferidos. Se por acaso lerem algumas das obras que mencionei digam-me o que acharam; lembraram-se de outras obras que ainda não mencionei, apitem... têm um gosto particular mas não sabem o que ler, pode ser que vos possa sugerir qualquer coisa. Lembrem-se que estes especiais também são vossos.

Maus: A survivor’s tale, Art Spiegelman. Dizer que este livro é apenas um relato de um sobrevivente do Holocausto é diminuir a sua importância e arte. O livro conta as experiências de um judeu polaco e a história da sua sobrevivência assim como a sua relação conflituosa com todos os que o rodeiam demonstrando como os efeitos de uma guerra podem ser vistos em gerações posteriores. Os judeus são representados como ratos (maus em alemão), os nazis como gatos, os americanos como cães etc o que mostra o ridículo do racismo e de uma forma bizarra ajuda a humanizar ainda mais a história. Não deixem que o tema vos afaste do livro como me afastou durante muito tempo, Maus é uma obra-prima sobre o que é ser humano, sobre história e os efeitos desta numa família. Depois de ganhar o prémio Pullitzer recebeu tanta atenção que a obra de dois volumes passou a ser utilizada em algumas escolas para abordar o tema do Holocausto a crianças de diferentes idades. Guia para professores aqui. Para fãs do canal história, de Persepolis, de Blankets e de O diário do meu pai.

Y: The last man, Brian K. Vaugn. Já aqui falei sobre esta série (10 volumes), ideal para quem gosta de suspense e de ficção científica, mas não me importo de voltar a elogiar a obra. Quando acabei o primeiro volume fui logo ao Book Depository encomendar o resto da série. Todos os homens do planeta morreram excepto um aprendiz de mágico e o seu macaco de estimação, tem a cabeça a prémio e a responsabilidade de ser um único sobrevivente mas será? As mulheres começam a reconstruir pouco a pouco, quase todos os pilotos morreram, há milhões de carros nas estradas ainda e muitas memórias de familiares perdidos. A história é descrita de uma forma soberba, com detalhes irónicos e suspense digno de Hitchcock. Agora que se vivem os momentos após a praga falta também saber o que a causou. Yorrick tem também de fugir às mulheres que se consideram as Filhas das Amazonas e que os homens eram uma praga. No meio disto há ainda que domesticar o seu macaco que insiste em atirar cócó a toda a gente. Para fãs de Battlestar Gallactica, Bone, Hitchcock, de Buffy e de The escapist.

Goodbye Chunky Rice, Craig Thompson. O autor de um dos meus livros preferidos, Blankets, começou a sua carreira com este pequeno livro. Chunky Rice é uma tartaruga pequenita, com olhos redondos de partir o coração que não se sente bem na sua cidade, isto apesar da amizade profunda que o une a Dantel um ratinho de olhos enormes. Chunky decide partir e encontrar o seu lugar no mundo, este pequeno volume conta a história dessa partida, dessa busca e da força dos laços de amizade; se há livro que sabe explicar como é difícil partir e deixar alguém para trás, como é difícil ter saudades é este.O livro conta também com duas gémeas siamesas estranhas, dois irmãos separados por anos de ressentimento e uma bela colecção de histórias de marinheiros. Não percam este belo conto sobre a amizade. Para fãs de Blankets, Bone, Owly, de Jojo, de Game Over e de fofices.

Small Favors, Colleen Coover. Coover é agora reconhecida como a Milo Manara das lésbicas e encontrou nesta série a sua galinha dos ovos de ouro. Small favors é estritamente para adultos mas enganem-se os que acham que é apenas sexo, humor e aventuras não faltam. Os volumes de "Girly porno comic" contam as aventuras sexuais de um casal de lésbicas nos Estados Unidos, sim, é tudo explícito mas sem ser reles, sem haver silicone e às vezes com um certo toque de sado-masoquismo mas tudo na dose certa. Não é preciso ser homosexual para desfrutar desta leitura, a imaginação e luxúria de cada página são razões suficientes. Quem sabe se não apanham uma dica ou outra? Para quem gosta de sexo e de rir, simples, não?

Usagi Yojimbo, Stan Sakai. Apesar do título pomposo esta série é uma excelente forma de entrar no vasto mundo das mangas sem tropeçar em Pokemons (não tenho nada contra mas não é para mim), é igualmente uma excelente forma de dar os primeiros passos na cultura Bushido, o código de honra dos samurais. Usagi é um samurai ronin, sem mestre, que vagueia pelo Japão oferecendo os seus serviços como guarda-costas. Apesar das inúmeras cenas de luta e batalhas Sakai raramente mostra sangue ou violência oferecendo a velocidade e habilidade de Usagi como justificação o que torna a obra ideal para qualquer idade. Apenas o vilão Hikiji tem forma humana todas as outras personagens são representadas por um animal diferente oferecendo cenas de batalhas dignas de um zoológico. Para fãs de mangas ou para quem não sabe onde começar, para apreciadores de artes marciais e fãs de Kill Bill.

Owly, Andy Ruton. Descobri esta pérolazinha recentemente e estou completamente rendida, um crítico descreveu Owly como o equivalente a receber um abraço e dois volumes depois só posso concordar. Owly é uma coruja bondosa mas extremanente só que pode mostrar a qualquer pessoa de qualquer idade como é importante ter amigos e como às vezes são precisos sacrifícios. Com apenas desenhos super detalhados e alguns símbolos a história avança sem uma única palavra. Ao folhear a obra muitos pensarão que é apenas para crianças a partir dos 2 ou 3 anos mas eu vi dois trintões soltarem alto um "awwww" durante a leitura. Para corações de manteiga, fãs de Jojo, Mamette e de Miyazaki.

Próximo especial será dedicado a Will Eisner, o Papa das grapic novels (romances gráficos). Daqui a dias chega o segundo especial Webcomics.

Especial BD 1. Especial BD 2. (especial clássicos) Especial BD 3. Especial BD 4.(especial crianças) Especial BD 4.5.

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terça-feira, junho 24, 2008

Aposto que nunca ninguém a tinha chamado...

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segunda-feira, junho 23, 2008

E quando me aborreço demora a passar

Cartoon Fim do Mundo II.

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domingo, junho 22, 2008

Eu aborreço-me muito facilmente

Cartoon Fim do mundo I.

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terça-feira, junho 17, 2008

A Bélgica é perfeita para cartoonistas

Lembram-se de há dias ter mencionado a disputa entre flamengos e wallons sobre as três terrinhas (os três porquinhos)? Pois bem, como a história está longe de terminar o cartoonista Kroll pensou numa solução possível: um túnel. O solo continua a ser da Flandres mas os wallons passam por baixo e continuam a lá morar. Piadas à parte, esta solução faz muito mais sentido do que as propostas apresentadas pelos partidos.

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quarta-feira, junho 04, 2008

As subtilezas belgas

Este cartoon do artista Kroll exemplifica perfeitamente a situação na periferia de Bruxelas. Não sei se se lembram mas Bruxelas tecnicamente pertence à Flandres, basta ver no mapa como dizem os flamengos; contudo é uma região à parte, não só é a única parte bilingue do país como a nível de votos tem muito que se lhe diga. Ora quando há eleições Bruxelas e a sua periferia contam como uma única área, a Flandres como outra e a Wallonie como outra; contudo há três terrinhas na periferia bruxelense que apesar de estarem na Flandres, apesar de estarem rodeadas de flamengos são maioritariamente wallonas. O que é que isto quer dizer? Que se for a Linkebeek (e vale a pena só pelo melhor restaurante Thai na Bélgica) vou falar francês e que se sair dois metros da terrinha tenho de falar flamengo. Os flamengos andam há anos a lutar por estas três terrinhas, sobretudo nos anos mais recentes, ao ponto de ao fim de seis meses de negociações não se podia formar governo porque os flamengos insistiam que estas três vilas começassem a contar para as eleições flamengas e os wallons não podiam ceder porque praticamente só há wallons nas três vilas.

Como o cartoon ilustra as três vilas - os três porquinhos - não se vão deixar apanhar pelo lobo mau - os flamengos- isto é quase poético. Quase. E como é que os flamengos reagem? Um pouco como o Cavaco Silva quando acha que esta a ser modesto, ignoram pura e simplesmente e continuam a insistir no mesmo ponto. Em contra-partida na Wallonie também há três vilas que só falam flamengo e lá há menos sarilho mas há sarilho na mesma. Para evitar que esta situação se repita os flamengos impuseram a regra que para comprar casa ou terreno na Flandres é preciso ou falar flamengo ou provar intenção de o fazer (incrição numa escola, por exemplo), a União Europeia diz que isso é discriminar e não pode ser, os flamengos dizem que não têm medo do lobo mau da comissão... Como disse, isto é quase poético ou épico ou estúpido, já não sei.

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domingo, junho 01, 2008

Especial banda desenhada pt 4 - crianças

Porque hoje é o dia da criança este especial é dedicado aos mais novos, mas não só, eu pessoalmente li todos os livros mencionados e tenho a maioria à espera da minha estante nova. Como imagino que não conhecem as obras tento indicar o mercado, ou seja, para que idades costumam vender embora haja claramente diferenças entre as idades alvo da editora e o público que compra (por exemplo, os primeiros dois cá são lidos por adultos sem preconceitos).

Jojo, André Geerts. Esta fofura de nome Jojo anda na primeira classe e vive com a avó (que faz panquecas todas as tardes) no campo e através de travessuras, de momentos animados e outros mais sérios mostra-nos como foi - ou podia ter sido- divertido ser criança. Geerts consegue mostrar-nos perfeitamente o mundo de uma criança desde o ser castigado por um professor injustamente, a ter de fazer o trabalho de casa quando está um perfeito dia de sol lá fora, a querer a todo o custo um cão até às possibilidades infinitas de brincar numa tarde de verão. Foi uma das primeiras BDs que li em Bruxelas e continuo a achar o Jojo uma das coisas mais adoráveis que já li. Só para crianças? Tenho colegas que compram para os sobrinhos só para poderem ler... Normalmente para o mercado dos 5 aos 9 anos. Recomendo altamente a fofice, até porque acho que os adultos beneficiariam muito mais da magia que os miúdos.

Kid Paddle, Midam. Kid é um miúdo aparentemente normal, adora jogos de computador e irritar a irmã mais velha, contudo, tem uma imaginação demasiado fértil, funde frequentemente os dois mundos: o real e o dos jogos; tortura as bonecas da irmã com experiências científicas (mete-as no microondas, na canalização, corta-lhes membros etc); imagina que o pai - um vendedor de seguros magricelas - é um agente secreto, cinturão negro em vinte mil artes marciais que pode dar cabo do pessoal do Macdonnalds quando este esgota o stock de brinquedos; juntamente com dois amigos inventa formas de não pagar no salão de jogos etc Lê livros de ciência apenas para ter todos os dados para a próxima tortura a um brinquedo da irmã; tem o quarto cheio de monstros que impressionam o estômago mais forte e um professor de matemática que utiliza balas em vez de litros de leite... Normalmente para o mercado dos 9 aos 14 anos. Excelente para rapazes de qualquer idade, para raparigas que não gostam da Barbie e para as que querem provas que os rapazes são parvos. Para os adultos com imaginação e sentido de humor.

Agathe Sangrenu, Vernay & Zabus. Agathe tem seis anos, é diabética e tem mau feitio. Decide contactar o mundo dos monstros porque não tem paciência para as colegas da escola e porque se considera feia; o seu gato Trevor segue-a apesar de ser o segundo gato mais maricas que já vi (o primeiro é o da minha tia). Juntos descobrem que existem vários tipos de monstros: os bons, os maus, os estúpidos, os muito estúpidos, os ingénuos e um sem cara. No mundo dos monstros o Trevor e a Agathe falam a mesma língua e os comentários mais cáusticos e divertidos são os do gato que detesta aventuras e só quer voltar para casa. Normalmente para o mercado dos 6 aos 8 anos. Para miúdas de mau feitio e para quem gosta de monstros.

Bom dia, menino Pai Natal, Robin & Trondheim. Esta BD sem qualquer fala e com desenhos super animados e descritivos segue um dia na vida do Pai Natal, na sua casa, na fábrica de brinquedos e por todo o Pólo Norte. Devido à falta de material o Pai Natal e os seus ajudantes inventaram um sistema de usar lixo como combustível mas ficaram sem lixo no Pólo Norte... Todos os ajudantes: bonecos de neve, diabretes, elfos, penguins e Yéyé, o monstrinho ajudam o Pai Natal a visitar uma cidade grande para recolher lixo. Uma ideia simples, divertida e pedagógica. Para toda a gente a partir dos 3 anos. Não é preciso gostar do Natal.

Brigade fantome, Pedrosa & Chauvel. Um resumo muito simples seria comparar o filme Caça-fantasmas a este tomo da Brigada fantasma mas tirando a ligação fantasmas a chatear o mundo dos vivos mas não há mais pontos em comum. Um guerreiro pré-histórico com fobia a micróbios, uma serpente sensível, um chinês que só pensa em comer, uma africana temperamental e um miúdo francês a habituar-se ao facto de estar morto são a brigada fantasma cheia de truques e improvisação para separar os dois mundos. Dos 6 aos 11 anos.

Ernest & Rebecca, Bianco & Dalena. Rebecca tem seis anos e um sistema imunitário péssimo, está sempre doente mas não está disposta a ser ajuizada: vai brincar para a rua apesar da chuva, vai de fato de banho caçar sapos e dificulta a vida do médico o mais que pode. Um dia durante a caça aos sapos apanha um micróbio chamado Ernest. Ernest pode mudar de forma e tamanho e não tem papas na língua, perfeito para a pequena Rebecca cujos pais não páram de discutir. A irmã mais velha ou está fechada no quarto ou fala ao telefone mas a Rebecca adora-a na mesma. Quase tão adorável como o Jojo, para crianças dos 6 aos 10.

(Não achei imagem, lamento) A missão h...orrível- uma aventura da minhoca Tropicalda, Pedro Massano. Um clássico português à frente do seu tempo, publicada em 1987 a minhoca Tropicalda defende o ambiente e as boas maneiras. Uma nave em forma de arranha-céus invade o paraíso da minhoca Tropicalda (que tem uma série de tunéis e galerias subterrâneas) e destrói tudo num raio de 10kms, ainda por cima a nave vem cheia de monstros felpudos, estúpidos e sim, adivinharam, porcos. Tropicalda apareceu-me à frente em 2003 e continuo orgulhosa dos monstros portugueses de Massano. A partir dos 6 anos até aos 14.

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quarta-feira, março 19, 2008

Filmes de animação esquecidos

Aqui. Admito que só conhecia 4 ou 5 da lista.

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sábado, fevereiro 02, 2008

Touché!

Touché ao ataque! Não sei se toda a gente conhece mas...

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domingo, janeiro 20, 2008

O Chuck Jones era um génio.

Kill the wabit!

Figaro fertilizer

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terça-feira, dezembro 18, 2007

Cartoons marotos

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sábado, novembro 24, 2007

Touché, pussy cat!

Eu sou tão fácil.

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segunda-feira, outubro 15, 2007

I hate mondays

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quinta-feira, setembro 20, 2007

O ninja branco

Apesar do blog No fim do mundo... não ter um livro de estilo ou uma política interna bem definida gosto de pensar que se tal existisse algo obrigatório seria mostrar a obra dos vários "weirdos" e "psicos" que existem pela blogosfera fora. Talvez por já ter trabalhado num escritório com tarefas repetitivas e insignificantes consigo entender o quão morto de tédio é preciso estar para criar determinados cartoons ou histórias, um bom exemplo é a obra de Doug Savage que após anos num escritório criou as Savage Chickens que eu adoro.

O último "psico" que encontrei chama-se White Ninja: Não acho que tenha o talento do Publish PostSavage mas numa escala de "weirdness" não se sai mal.

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domingo, agosto 12, 2007

Calvin & Hobbes

Ao encontrarem um passarinho morto:

"You realize that nature is ruthless and that our existence is very fragile, temporary, and precious. But to go on with your daily affairs, you can't really think about that."

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