quarta-feira, dezembro 17, 2008

Quarta-feira em Bruxelas natalícia

Não sou grande fã desta época ou de mercados em geral, contudo, gosto de pensar que sou fiel ao "em Roma sê romano" (com limites). Convido-vos a visitarem o mercado de natal da Place St Catherine, aproveitem para patinarem no gelo, andarem na roda gigante, andarem nos estranhíssimos carrosséis e para beberem a ginginha local. Diversão garantida. Orçamento: Tragam pelo menos 20e, é que também há comida à venda...

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terça-feira, outubro 28, 2008

For the Bible tells me so

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quinta-feira, julho 10, 2008

As nossas igrejas não são assim (Gent/Gand)

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domingo, abril 20, 2008

As pequenas desilusões americanas

A maior parte das pessoas adora odiar os Estados Unidos, adora ser anti-americano, assim como muitos adoram defender o regime cubano como o paraí­so na terra. Mesmo com razões dí­spares para serem anti-americanos parece haver um sentido de união nestes grupos: seja o capitalismo, seja a guerra do Iraque, seja o presidente Bush ou Hollywood, muita gente acaba por concordar em detestar a América (os Estados Unidos, não a minha prima dos Açores). Os que não detestam abertamente manifestam um desinteresse público curioso: juram nunca visitar o país mas consomem os piores blockbusters do mercado e passam meses a contar aos amigos como o filme foi mau como se isso provasse por A + B que tinham toda a razão em desprezar os americanos.

Se tivesse regras na minha ética mutante uma delas seria a de evitar estes sentimentos generalizados e fortes. Não gosto de sentimentos fortes, fazem-me tremer as mãos; tenho sentimentos fortes o tempo todo mas nunca por boas razões. Ainda agora estou a sentir algo muito forte em relação ao meu portátil que está há três horas a apitar as fases da verificação do disco (ainda não consigo aceder a um único ficheiro, snif) mas por não gostar de sentimentos fortes decido fazer o que muitos portugueses fazem tão bem, esperar que passe.

Por que razão não nos incomodamos tanto com os britânicos, por exemplo? Entraram em força na guerra contra o Iraque e por pertencerem (lá à maneira deles) à União Europeia as decisões tomadas pelos seus maus governos ou governos mal informados afectam-nos mais directamente. No entanto nunca ouvi ninguém dizer “detesto o Reino Unido, nunca lá porei os pés!” Excepto a minha prima Francisca que namorou com um inglês.

Quer-me parecer que gostamos muito de acreditar em utopias, embora de formas diferentes. A ideia de que lá fora as coisas são melhores tem as suas raízes numa utopia também. Seguimos as eleições americanas com mais interesse do que as nossas – aqui podia muito bem cair na piada fácil – olhamos para o Barack Obama com um brilhozinho nos olhos e para as imagens do Bush a receber o Papa com azia.

No fundo, no fundo, mesmo os que insistem no anti-americanismo não conseguem resistir à ideia de um país tão novo ser tão energético, dinâmico e, temos de o admitir, tão capaz quando se decide a sê-lo. Podemos não querer que Portugal seja tão capitalista ou politicamente correcto mas mantemos uma esperança secreta de que um dia trabalhemos tanto como eles por um ordenado igualmente justo, que a nossa literatura seja apreciada como a deles, que a nossa ciência descubra tanto como a deles etc

Não sendo exclusivamente pró-americana incomoda-me o anti-americanismo pura e simplesmente porque não gosto de pôr tudo no mesmo saco, de misturar as coisas; não vou ver blockbusters cheios de explosões e de músculos oleados, leio muita literatura e oiço muita música norte-americana mas separo as coisas. O sistema educativo americano é muito mau para quem não tem dinheiro - ou são muito inteligentes e têm um bom professor que os descubra e ajude entre as suas centenas de alunos ou começam a trabalhar aos 16 anos -não posso chamar um país inteiro de burros conhecendo a realidade, seria como atirar pedras a um ceguinho. E já agora, repararam que os Estados Unidos são o país com mais prémios Nobel?

Um amigo disse-me uma vez que julgava os países pelo seu melhor e não pelo seu pior, uma regra rara em Portugal. Defendemo-nos dizendo que temos mais música do que o fado, mais coisas para além do futebol, mais escritores para além do Saramago no entanto não somos capazes de o fazer para outros países.

Será que preferimos a má língua acima de tudo?

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domingo, dezembro 09, 2007

A questão dos sacos de plástico

Anda tudo muito confuso no messenger e como sempre não percebo nada. Primeiro foi o minipreço agora o governo, indignação e tal... Eu explico como são as coisas nos dois países malucos onde vivi.

Na Letónia não há taxa ecológica sobre, bem, nada que eu me lembre. Os sacos de plástico estão na caixa do supermercado para quem quiser e há cores à escolha; em contrapartida as ruas estão um nojo (fora da capital principalmente), há lixo por toda a floresta e adivinhem, sacos de plástico a flutuar nos rios. Isto explica-se um pouco pela bela da preguiça: durante a ocupação russa as ruas eram limpas diariamente e andava tudo impecável, agora sem os varredores russos não há forma de impedir os bêbados de atirarem lixo para o rio. A minha colega de quarto chegou a levar os miúdos do orfanato dela às margens do rio para apanhar lixo e ao fim do dia era como se não tivessem carregado sacos cheios... O pessoal parece estar-se um pouco nas tintas excepto quando querem fazer um pic-nic e há demasiados cacos ou latas de cerveja. Outra coisa interessante é que como os sacos são pagos pelo governo e a Letónia não é propriamente rica os sacos são de má qualidade.

Na Bélgica há leis para quase tudo, é obrigatório pôr o lixo separadamente e nos dias certos. A primeira multa é de 250 euros depois é sempre a subir. Compramos os sacos no supermercado: brancos para o lixo normal, amarelo para o papel, azul para o plástico e castanho para a jardinagem; o preço varia conforme o tamanho, eu compro os mais pequenos, de 30 litros, e por 2E temos 30 sacos e arame para os fechar. O dinheiro dos sacos vai directamente para a produção de novos sacos, claro mas também para a reciclagem e para cada câmara gerir o departamento competente. O sistema não é perfeito, é proibido pôr o lixo na rua antes das 17h mas como não há caixotes há passeios atafulhados de sacos e de caixotes de cartão até cerca das 19h quando o carro recolhe. Nos primeiros meses não atinava com os dias certos, há um por semana para a reciclagem e cheguei a ter de ir pôr na rua do lado. E como cada freguesia é que organiza os dias e os horários não adiantava perguntar aos meus amigos e como nunca vejo os meus vizinhos fui ao site (estamos tão modernos). Nos supermercados também se paga pelos sacos de plástico com a vantagem de poder comprar um saco reciclado; a grande diferença é que aqui usa-se o caddy ou trolley. É muito prático e muito melhor para a minha tendinite que carregar sacos. Claro que quando comentei com a minha gazelinha preferida a única coisa que ela soube dizer foi:

- Ah! Como as velhinhas!...

Não porque posso escolher as cores e não sou obrigada a andar com uma manta axadrezada com rodas mas suponho que ela não me ouviu com atenção e prefere acartar sacos.

Em suma, se o dinheiro for usado para a reciclagem e campanhas ambientais acho que 0,05e não custa muito, e não são os portugueses que se queixam sempre das moedas pretas?

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quinta-feira, novembro 01, 2007

Metaforicamente falando isto quer dizer?...

Ao que parece os belgas colocam no tronco de Natal um menino de Jesus feito de massapão e as crianças discutem sobre quem é que come o menino Jesus. Já os vi no supermercado, são rosadinhos e vendem-se aos pares. Não sou a única que acha isto estranho, pois não?

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segunda-feira, abril 16, 2007

Contra o fascismo

Alguém me sabe dizer doutro país que queira ou tenha erguido um museu ao antigo ditador? A Lituânia tem um parque com estátuas e propaganda soviética porque quis mostrar ao mundo o que sofreram e não querem que o mundo esqueça (ou deixar que os russos se esqueçam também) mas não me ocorre mais nenhum exemplo. E é preciso não esquecer que os lituanos enviaram uma conta aos russos pelos anos da ditadura.

site contra o fascismo.

Blog Salazarices com uma lista incompleta das vítimas do regime.

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terça-feira, março 27, 2007

Não sei como é que os diplomatas o fazem (suspiro de emigrante)

Está cada vez mais difícil defender ou explicar (e perceber) Portugal. Lamento generalizar e tal e detesto soar como uma emigrante mas que raio?.... Quando foi o terrorismo do aborto argumentei que era a posição da igreja e tudo o que o Sumo Pontífice dissesse seria repetido pelo Patriarca de Lisboa e bispos afins - excepto se calhar o do Funchal que tem a reputação que tem - mas agora vota-se num ditador e ainda por cima um mau ditador como o melhor português de todos os tempos? Saudosismo é sinónimo de estupidez desde quando? Eventualmente a desculpa de que as pessoas saem de Portugal para procurar uma vida melhor vai dar lugar a uma realidade incómoda: a de que muitos procuram um país melhor. Eu procurei uma mentalidade melhor e gostava de ter mais do que o futebol e o tempo (e até isso está a mudar) como exemplos positivos. Mas não há crise afinal de contas nos Estados Unidos num concurso semelhante o Homer Simpson foi o grande vencedor, se calhar isto tudo foi uma piada de mau gosto. ufa!....

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segunda-feira, março 26, 2007

A minha notícia favorita

Apesar da distância e apesar da qualidade dos jornais portugueses on-line, tenho acompanhado (mais ou menos) a actualidade portuguesa. E como muito provavelmente observo as notícias de uma forma diferente dos "não-emigrantes" decidi partilhar a minha notícia preferida deste ano. A notícia já tem umas semanas mas ainda não fui capaz de a esquecer. Trata-se do furto de uma ambulância do INEM.

Imaginem a situação: os dois tripulantes correm para dentro do edifício para dar assistência a uma senhora e quando a transportam de maca não há ambulância. Primeiro surge a eterna questão de "tinha a certeza que tinha estacionado aqui" e um deles espreitou ao virar da esquina, não fosse alguém desviar a ambulância para poder tirar o carro mas logo chegaram à conclusão de que tinham sido roubados. A segunda questão engraçada é o telefonema para a central: "eeeeh, pois e tal, roubaram a ambulância." Adorava ter ouvido a resposta da telefonista. Contudo o grand-finale e o meu momento preferido é que mal acabam de informar a central e esperam por outra ambulância, vêem a sua ambulância a passar no sentido contrário a alta velocidade e, claro está, com as luzes e a sirene ligadas. Felizmente a senhora não estava em estado grave, felizmente porque assim já posso rir à vontade com a imagem de dois homens confusos (e uma maca) no passeio da Almirante Reis a verem a ambulância a ir na direcção oposta em marcha de urgência.

Infelizmente não consegui encontrar a notícia completa (com as citações do ano, sem dúvida). Mas aqui fica um substituto.

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quarta-feira, janeiro 10, 2007

Public worker

Hoje ao fim do dia uma colega minha tentou explicar-me por que razão eu deveria apanhar a gripe que ela apanhou dos pais. Podia ficar em casa, não trabalhar etc. Respondi que não via a piada em estar de cama com febre e continuei a escrever.

-aaah!! Mas há doente e...doente... - explicou-me num murmúrio. - podes pedir o dia sem estares verdadeiramente doente. - E riu-se.

Olhei-a de cima a baixo e disse com a cara mais séria que consegui:

- Em Portugal temos um nome para pessoas como tu... funcionário público.

Acreditam que ficou ofendida?? Bem, o que eu ri...

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sábado, janeiro 06, 2007

Dia de reis na Bélgica

Não há muitas diferenças, há também um bolo-rei (nada a ver com o nosso, o interior tem maçapão) com uma fava e um brinde. A particularidade é quem tiver o brinde tem de usar uma coroa o dia todo. Há quem afirme que também têm de cantar mas eu aí já achei que era um pouco demais... Sim, tive de usar a coroa. Mas só um bocadinho.

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sexta-feira, maio 12, 2006

Pitoresco

Em vez das fotos do jogo de hockey e do meu chapéu, decidi pôr estas fotos - é dum senhor que estava a vender facas na estação de autocarros com a sua cadela e o seu alcóolzito. Escusado será dizer que era meio-dia e já tresandava a vinho. Não pareceu muito satisfeito quando viu a minha máquina fotográfica (eu bem que tentei disfarçar) mas correu tudo bem. Hoje vou para Liepaja, volto segunda ou terça, depende se páro em Riga antes... Bom fim de semana, visu labu! e inté!

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terça-feira, dezembro 27, 2005

O dia mais frio da minha vida...

Já me começo a habituar ao frio, com -10 ando muito bem na rua (para os que me viram roubar cobertores na pousada de Almada é um verdadeiro milagre.) e com -15 depende da existência ou não de vento, sem vento e com camisa interior, 2 camisolas e 2 casacos (1 de neve) estou bem na rua mas com vento é verdadeiramente horrível. Para ficarem com uma ideia, eu hoje comprei um barrete novo - o que tinha não me tapava as orelhas - porque me doíam imenso os ouvidos quando ia à rua e fiquei contente como uma criança em frente a um gelado Haggen-daaz (ok, uma criança rica). Também hoje, cheguei a casa com as mãos a doer mas a doer mesmo por causa do frio, amanhã vou comprar luvas novas. É que a partir de certo ponto o frio desaparece para dar lugar à dor e não é agradável. Quando estão 15 graus negativos e o vento sopra acreditamos em Deus e esse Deus está lixado como tudo. Tentei pôr batôn para ver se os meus lábios não congelavam e meus meninos, eu não sentia nada! Quer dizer, o meu cérebro dizia-me que estava a pôr batôn, a minha mão fazia o movimento bem, não andei a pintar a cara mas só sentia gelo. Apenas gelo.

A minha mentora, é tão estranho dizer mentora em português, bom, a minha chefe, a coitada que é responsável por mim, ofereceu-me uma prenda de anos com um super-embrulho! Eu achei que merecia aparecer no blog mas a foto não está muito boa, mas ficam a saber que o embrulho era três vezes maior que a prenda. E também não me deixou abrir à frente dela, o que me preocupou na altura mas em casa fez sentido porque era um vaso de margaridas, acho eu que são margaridas, e teriam congelado no caminho. Eles adoram flores aqui e acho que todos conseguimos imaginar porquê. Outra diferença cultural é que eles não dão os dois beijinhos ou abraço para agradecer as prendas, lá muito a custo disse apenas "obrigada" e tal mas saí a sentir-me a pessoa mais mal-educada do planeta.

O super-embrulho...

Tchan NANNNN!

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