domingo, agosto 24, 2008

Bandas sonoras

Desde a primeira vez que ouvi "road to nowhere" que achei que era a canção perfeita para uma road trip, especialmente se estivermos numa estrada/caminho não planeado. Tive a oportunidade de viver esse momento duas vezes: a primeira na Estónia horas antes de enterrar o meu carro na neve e de ser salva por dois nativos que não falavam uma palavra de inglês e outra na Escócia à procura da bendita Adrian's Wall que nos fez perder 3h da viagem mas lá encontramos as ruínas. Há outras músicas - a maioria instrumentais - que fazem parte da minha banda sonora pessoal ou de sonho porque correspondem a momentos não vividos (ainda, espero eu!).

Aqui ficam alguns exemplos:

The Go! team - Everyone's a VIP for someone. Acho que é o banjo que me faz pensar no Grand Canyon, não tenho a certeza. Só sei que se algum dia tiver a oportunidade de visitar o Grand Canyon - mas visitar mesmo, entrar no parque natural e andar a pé, talvez escalar um pouco e não só chegar ao miradouro e tirar fotos - espero poder tocar esta música e avançar sorrindo. Se for montada num cavalo e com um chapéu de cowboy, ainda melhor.

Billy Joel - River of dreams. Uma das minhas músicas preferidas de sempre e que consigo imaginar em diferentes situações parece-me ideal para uma descida de barco a vapor pelo Mississippi. Ainda existem barcos a vapor, certo?

Clap your hands and say yeah! - Sunshine and clouds (and everything proud). O mal desta música é ser tão curta. Um sesta numa rede no Pacífico?

Henry Mancini - Moonriver. Uma das músicas mais românticas de sempre merece um vestido de gala na praia.

That handsome devil - Rob the Prez-O-dent. Ideal para viver momentos Pulp Fiction - atenção os momentos fixes, não a seringa de três metros no coração ou o ataque medieval - num descapotável vermelho...

Tenho outras mas ficam para outra ocasião, e vocês?

Etiquetas: , , ,

sábado, agosto 16, 2008

Inspiração

Este senhor sofre de esclerose múltipla e pediu a um fotógrafo profissional para o ajudar a tirar uma foto que o incitivasse, que lhe desse mais coragem para viver e lutar pelo filho de 12 anos. História completa aqui.

Etiquetas: , , ,

domingo, abril 20, 2008

As pequenas desilusões americanas

A maior parte das pessoas adora odiar os Estados Unidos, adora ser anti-americano, assim como muitos adoram defender o regime cubano como o paraí­so na terra. Mesmo com razões dí­spares para serem anti-americanos parece haver um sentido de união nestes grupos: seja o capitalismo, seja a guerra do Iraque, seja o presidente Bush ou Hollywood, muita gente acaba por concordar em detestar a América (os Estados Unidos, não a minha prima dos Açores). Os que não detestam abertamente manifestam um desinteresse público curioso: juram nunca visitar o país mas consomem os piores blockbusters do mercado e passam meses a contar aos amigos como o filme foi mau como se isso provasse por A + B que tinham toda a razão em desprezar os americanos.

Se tivesse regras na minha ética mutante uma delas seria a de evitar estes sentimentos generalizados e fortes. Não gosto de sentimentos fortes, fazem-me tremer as mãos; tenho sentimentos fortes o tempo todo mas nunca por boas razões. Ainda agora estou a sentir algo muito forte em relação ao meu portátil que está há três horas a apitar as fases da verificação do disco (ainda não consigo aceder a um único ficheiro, snif) mas por não gostar de sentimentos fortes decido fazer o que muitos portugueses fazem tão bem, esperar que passe.

Por que razão não nos incomodamos tanto com os britânicos, por exemplo? Entraram em força na guerra contra o Iraque e por pertencerem (lá à maneira deles) à União Europeia as decisões tomadas pelos seus maus governos ou governos mal informados afectam-nos mais directamente. No entanto nunca ouvi ninguém dizer “detesto o Reino Unido, nunca lá porei os pés!” Excepto a minha prima Francisca que namorou com um inglês.

Quer-me parecer que gostamos muito de acreditar em utopias, embora de formas diferentes. A ideia de que lá fora as coisas são melhores tem as suas raízes numa utopia também. Seguimos as eleições americanas com mais interesse do que as nossas – aqui podia muito bem cair na piada fácil – olhamos para o Barack Obama com um brilhozinho nos olhos e para as imagens do Bush a receber o Papa com azia.

No fundo, no fundo, mesmo os que insistem no anti-americanismo não conseguem resistir à ideia de um país tão novo ser tão energético, dinâmico e, temos de o admitir, tão capaz quando se decide a sê-lo. Podemos não querer que Portugal seja tão capitalista ou politicamente correcto mas mantemos uma esperança secreta de que um dia trabalhemos tanto como eles por um ordenado igualmente justo, que a nossa literatura seja apreciada como a deles, que a nossa ciência descubra tanto como a deles etc

Não sendo exclusivamente pró-americana incomoda-me o anti-americanismo pura e simplesmente porque não gosto de pôr tudo no mesmo saco, de misturar as coisas; não vou ver blockbusters cheios de explosões e de músculos oleados, leio muita literatura e oiço muita música norte-americana mas separo as coisas. O sistema educativo americano é muito mau para quem não tem dinheiro - ou são muito inteligentes e têm um bom professor que os descubra e ajude entre as suas centenas de alunos ou começam a trabalhar aos 16 anos -não posso chamar um país inteiro de burros conhecendo a realidade, seria como atirar pedras a um ceguinho. E já agora, repararam que os Estados Unidos são o país com mais prémios Nobel?

Um amigo disse-me uma vez que julgava os países pelo seu melhor e não pelo seu pior, uma regra rara em Portugal. Defendemo-nos dizendo que temos mais música do que o fado, mais coisas para além do futebol, mais escritores para além do Saramago no entanto não somos capazes de o fazer para outros países.

Será que preferimos a má língua acima de tudo?

Etiquetas: , , , , ,

quinta-feira, março 20, 2008

Não me lembro dos detalhes

mas acordei a gritar "independência".

Etiquetas:

quarta-feira, outubro 18, 2006

Sonhos vs realidade

No sábado vi The science of sleep (http://www.youtube.com/watch?v=ftUTlHKfO-s&mode=related&search= ). A parte dos sonhos e do mundo imaginado é excelente mas o que me preocupa é que a personagem principal, Stéphane, é uma caricatura dos piores dias da minha insanidade. O que não é nada bom sinal.

Não sei o que é pior, se me aperceber de certas coisas olhando para o grande ecrã, se as reconhecer numa obra de ficção ou continuar na ignorância. Bem, a última hipótese já nao é possível, não é verdade? Para aqueles que me conhecem bem, o sonhar acordada até já faz parte mas não me parece que mesmo esses tenham noção da quantidade de vezes em que me perco "lá dentro". Contudo, ao contrário do Stéphane, apenas dou valentes cabeçadas em portas metafóricas e ainda tenho uma linha (ténue) da realidade. Tenho, não tenho? Não estou a escrever isto para amigos imaginários, espero.

"Find my head is always up in the clouds in a dream world"

Freddie Mercury, "living on my own"

Se bem que não é a primeira vez que uma personagem me faz pensar na minha insanidade. Um exemplo excelente é o As good as it gets (http://www.youtube.com/watch?v=zQJz5WjLlIs).

Sempre tive imensos problemas em concentrar-me, não sei quantos testes foram devolvidos quase vazios ou com respostas de última hora porque estava sei lá onde. E embora já me tenham chamado à atenção imensas vezes (às vezes até de formas nada simpáticas) continuo a achar que não é um defeito. E apesar das minhas inaptidões sociais, não sou má de todo (ah, pois não...). Como me disseram uma vez as pessoas que gostam de mim, gostam de mim como eu sou; os que não gostam, não gostam mas por esses não tenho de me esforçar. Eu acrescento que por esses também não abdico dos sonhos.

Etiquetas: ,