quinta-feira, novembro 06, 2008

As queixas de George Orwell

Nem tudo correu bem quando viveu na Birmânia:

"In Moulmein, in lower Burma, I was hated by large numbers of people—the only time in my life that I have been important enough for this to happen to me.

In the end the sneering yellow faces of young men that met me everywhere, the insults hooted after me when I was at a safe distance, got badly on my nerves. The young Buddhist priests were the worst of all.

Theoretically—and secretly, of course—I was all for the Burmese and all against their oppressors, the British. As for the job I was doing, I hated it more bitterly than I can perhaps make clear. In a job like that you see the dirty work of Empire at close quarters. The wretched prisoners huddling in the stinking cages of the lock-ups, the grey, cowed faces of the long-term convicts, the scarred buttocks of the men who had been flogged with bamboos—all these oppressed me with an intolerable sense of guilt.

I perceived in this moment that when the white man turns tyrant it is his own freedom that he destroys. He becomes a sort of hollow, posing dummy, the conventionalized figure of a sahib. For it is the condition of his rule that he shall spend his life in trying to impress the “natives,” and so in every crisis he has got to do what the “natives” expect of him.

And my whole life, every white man’s life in the East, was one long struggle not to be laughed at."

O texto está disponível online.

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domingo, dezembro 09, 2007

A questão dos sacos de plástico

Anda tudo muito confuso no messenger e como sempre não percebo nada. Primeiro foi o minipreço agora o governo, indignação e tal... Eu explico como são as coisas nos dois países malucos onde vivi.

Na Letónia não há taxa ecológica sobre, bem, nada que eu me lembre. Os sacos de plástico estão na caixa do supermercado para quem quiser e há cores à escolha; em contrapartida as ruas estão um nojo (fora da capital principalmente), há lixo por toda a floresta e adivinhem, sacos de plástico a flutuar nos rios. Isto explica-se um pouco pela bela da preguiça: durante a ocupação russa as ruas eram limpas diariamente e andava tudo impecável, agora sem os varredores russos não há forma de impedir os bêbados de atirarem lixo para o rio. A minha colega de quarto chegou a levar os miúdos do orfanato dela às margens do rio para apanhar lixo e ao fim do dia era como se não tivessem carregado sacos cheios... O pessoal parece estar-se um pouco nas tintas excepto quando querem fazer um pic-nic e há demasiados cacos ou latas de cerveja. Outra coisa interessante é que como os sacos são pagos pelo governo e a Letónia não é propriamente rica os sacos são de má qualidade.

Na Bélgica há leis para quase tudo, é obrigatório pôr o lixo separadamente e nos dias certos. A primeira multa é de 250 euros depois é sempre a subir. Compramos os sacos no supermercado: brancos para o lixo normal, amarelo para o papel, azul para o plástico e castanho para a jardinagem; o preço varia conforme o tamanho, eu compro os mais pequenos, de 30 litros, e por 2E temos 30 sacos e arame para os fechar. O dinheiro dos sacos vai directamente para a produção de novos sacos, claro mas também para a reciclagem e para cada câmara gerir o departamento competente. O sistema não é perfeito, é proibido pôr o lixo na rua antes das 17h mas como não há caixotes há passeios atafulhados de sacos e de caixotes de cartão até cerca das 19h quando o carro recolhe. Nos primeiros meses não atinava com os dias certos, há um por semana para a reciclagem e cheguei a ter de ir pôr na rua do lado. E como cada freguesia é que organiza os dias e os horários não adiantava perguntar aos meus amigos e como nunca vejo os meus vizinhos fui ao site (estamos tão modernos). Nos supermercados também se paga pelos sacos de plástico com a vantagem de poder comprar um saco reciclado; a grande diferença é que aqui usa-se o caddy ou trolley. É muito prático e muito melhor para a minha tendinite que carregar sacos. Claro que quando comentei com a minha gazelinha preferida a única coisa que ela soube dizer foi:

- Ah! Como as velhinhas!...

Não porque posso escolher as cores e não sou obrigada a andar com uma manta axadrezada com rodas mas suponho que ela não me ouviu com atenção e prefere acartar sacos.

Em suma, se o dinheiro for usado para a reciclagem e campanhas ambientais acho que 0,05e não custa muito, e não são os portugueses que se queixam sempre das moedas pretas?

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